ANÁLISE

Lula reforça liderança na transição energética e rejeita entrega de minerais estratégicos

Presidente destaca potencial do Brasil em biocombustíveis e defende soberania na exploração de minerais críticos durante visita à Alemanha.

Publicado em 20/04/2026 às 22:03
© ANSA/EPA

Lula reforça liderança na transição energética e rejeita entrega de minerais estratégicos. Em agenda na Alemanha, o presidente destacou ao público o papel de destaque do biocombustível brasileiro no processo global de transição energética, apresentando-o como alternativa viável em meio à alta do petróleo provocada pela crise no Oriente Médio. Lula também deixou claro que o Brasil não se limitará a ser um mero exportador de minerais críticos.

Segundo o cientista político José Paulo Martins, o Brasil já é referência em economia verde, com a maior parte de sua matriz energética composta por fontes limpas. Isso garante ao país credenciais sólidas para liderar discussões sobre transição energética, tema de interesse mundial.

Clarisse Gurgel, também cientista política, avalia que a atual movimentação em direção à transição energética é continuidade de uma agenda iniciada por Lula desde seu primeiro mandato, fortalecendo um tema central para o Sul Global. Ela ressalta ainda o papel de destaque da China, que avançou significativamente no uso de energia eólica e solar.

Durante sua viagem à Alemanha, Lula ressaltou o potencial brasileiro em minerais críticos, afirmando que, mesmo com apenas 30% do território nacional mapeado, o Brasil já detém a maior reserva mundial de nióbio, além da segunda maior de grafita e terras raras, e a terceira de níquel. O presidente defendeu que o país deve priorizar o desenvolvimento industrial, em vez de se limitar à exportação de commodities, em um debate que envolve soberania e tende a ganhar espaço nas eleições de 2026.

“A postura deste governo é não entregar de bandeja os recursos, mas buscar negociações mais favoráveis. Um exemplo interessante é a fabricação dos caças suecos no Brasil, que envolveu transferência de tecnologia. Foi uma negociação em que a soberania nacional prevaleceu e todos os envolvidos saíram ganhando”, analisou Martins.

Por Sputnik Brasil