Infraestrutura crítica e sem governança: qual é o perigo dos danos aos cabos submarinos?
Concentração de cabos submarinos em áreas estratégicas torna a Internet vulnerável a conflitos e acidentes, afetando bilhões de usuários e serviços essenciais.
Cabos submarinos são a espinha dorsal da Internet, responsáveis por transportar mais de 95% do tráfego global de dados. No corredor estratégico do mar Vermelho e do Golfo, especialmente no estreito de Ormuz, essa infraestrutura conecta hubs digitais do Oriente Médio a redes na Europa, Ásia e África, garantindo baixa latência e alta capacidade para bilhões de usuários e serviços críticos, como computação em nuvem, streaming e sistemas financeiros.
No entanto, essa concentração também representa vulnerabilidade: os cabos são relativamente fáceis de serem danificados, sobretudo em cenários de conflito, como no Irã. Interrupções nessas rotas podem afetar diretamente a operação de empresas e economias dependentes da conectividade.
"A Internet foi desenhada com algoritmos que garantem resiliência, mas isso só funciona com redundância de caminhos. Em muitos locais ela não existe e, quando existe, pode significar rotas mais longas, com maior atraso, o que afeta diretamente aplicações sensíveis em tempo real e outras métricas de rede", explica o especialista em sistemas ciberfísicos Claudio Miceli à Sputnik Brasil.
Quando pontos estratégicos são interrompidos — seja por ação militar, sabotagem ou acidentes —, o impacto é sistêmico, atingindo comunicações, mercados e serviços digitais em escala global.
Quanto à preservação dessa infraestrutura em situações de guerra, como no Irã, não há uma governança internacional capaz de coordenar a proteção dos cabos submarinos, destaca o pesquisador. "O que existe são acordos de cooperação entre companhias e Estados nacionais, numa tentativa de manter essa infraestrutura."
Para Miceli, o cenário atual evidencia a necessidade de uma cooperação internacional mais ampla. A manutenção dessa infraestrutura — essencial para comunicação, economia e inovação — exigiria um nível de coordenação global que atualmente parece distante.