DIPLOMACIA INTERNACIONAL

EUA solicitam saída de delegado da PF após atuação no caso Ramagem

Departamento de Estado acusa agente brasileiro de tentar manipular sistema migratório durante prisão de ex-deputado na Flórida

Por Sputinik Brasil Publicado em 20/04/2026 às 20:19
Delegado da PF é solicitado a deixar os EUA após episódio envolvendo ex-deputado Ramagem na Flórida. © Foto / Lula Marques / Agência Brasil

O governo dos Estados Unidos solicitou nesta segunda-feira (20) que um delegado da Polícia Federal (PF) do Brasil deixe o país após sua atuação no caso que envolveu a detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, ocorrida na última semana na Flórida.

Em comunicado oficial divulgado nas redes sociais, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado norte-americano não citou o nome do agente, mas afirmou que sua conduta representou uma tentativa de "manipular" o sistema migratório dos EUA.

"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração, seja para contornar pedidos formais de extradição, seja para estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje solicitamos que o funcionário brasileiro envolvido deixe nosso país por tentar fazê-lo", diz a nota.

Segundo informações da TV Globo, o delegado citado é Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação da Polícia Federal na Flórida e colaborava com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês) dos EUA.

A decisão ocorre após a prisão de Ramagem em Orlando, na última semana, por questões migratórias. O ex-deputado permaneceu dois dias sob custódia das autoridades migratórias, sendo posteriormente liberado e retornando ao seu domicílio.

De acordo com relatos, Ramagem estava com o visto de turista expirado, o que motivou a ação — considerada comum pelas autoridades locais. O episódio teve repercussão política, com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro agradecendo publicamente ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio, pela "sensibilidade" no tratamento do caso.

Alexandre Ramagem foi condenado em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe e organização criminosa. Ele permanece nos EUA desde setembro de 2025, após deixar o Brasil de forma clandestina pela fronteira com a Guiana.

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem foi eleito deputado federal em 2022, mas teve o mandato cassado em dezembro do mesmo ano por decisão do STF.