ECONOMIA

Empresa dos EUA adquire única mina brasileira de terras raras

Publicado em 20/04/2026 às 17:28
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A mineradora brasileira Serra Verde, especializada em terras raras, foi adquirida pela norte-americana USA Rare Earth (USAR) em uma negociação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (20) pelas duas companhias.

Localizada em Minaçu (GO), a Serra Verde opera a mina de Pela Ema, a única mina de argilas iônicas em atividade no Brasil, em produção desde 2024. Com a aquisição, o controle da operação passa para a empresa dos Estados Unidos.

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Trata-se da única produtora, fora da Ásia, das quatro terras raras pesadas mais críticas e valiosas: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). Atualmente, mais de 90% da extração mundial desses minerais ocorre na China. Os elementos são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, além de setores como semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

Segundo a Serra Verde, o negócio permitirá a criação da maior empresa global do setor. A produção em Goiás está na primeira fase e ainda é considerada modesta, mas a expectativa é dobrar até 2030.

“As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e ‘downstream’ da USAR”, informou o grupo Serra Verde em comunicado ao mercado.

Contrato de 15 anos

O contrato inclui o fornecimento por 15 anos para abastecer uma Empresa de Propósito Específico (SPV), capitalizada por agências do governo dos EUA e investidores privados, garantindo 100% da produção da Fase I com preços mínimos para terras raras magnéticas.

“O acordo de fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e promovendo seu desenvolvimento”, afirmou a USAR em nota.

O comunicado destaca que a união das empresas resultará em uma multinacional líder em terras raras, com oito operações no Brasil, EUA, França e Reino Unido, atuando em toda a cadeia produtiva, incluindo mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs.

O tema tem sido motivo de discussões internacionais. Em diversos discursos, Donald Trump criticou a dependência global da produção chinesa, gerando tensões com Pequim.

“Esses marcos são um ponto positivo significativo para o Brasil e demonstram a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras. As garantias de fornecimento, assim como a combinação com a USAR, validam a qualidade da Serra Verde: nossa operação única, nossos colaboradores e seu compromisso com práticas responsáveis”, destacou Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO do Grupo Serra Verde.

O mercado reagiu positivamente ao anúncio. Por volta das 15h30, as ações da USAR na Nasdaq subiam mais de 8%.

A aquisição mantém a equipe da empresa brasileira, incluindo dois executivos que passam a integrar a diretoria da USAR: Sir Mick Davis e Thras Moraitis, respectivamente presidente do conselho e CEO do Grupo Serra Verde.