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África do Sul não pode ser vetada do G20, afirma Lula em resposta a Trump

Publicado em 20/04/2026 às 16:02
© Foto / Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

Em visita oficial na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou em coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (20), que os EUA não tem o direito de proibir a participação da África do Sul no G20, grupo das maiores economias do planeta mais a União Europeia (UE).

"Eu disse ao Ramaphosa [presidente da África do Sul], esta semana, que os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro fundador do G20 de participar do bloco. Disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer ao G20. Ele não pode deixar de ir, porque o Trump disse para ele não ir. Vamos lá ver o que vai acontecer, se vão deixar ele entrar ou não", afirmou Lula, na cidade de Hanôver, após se reunir com o chanceler Friedrich Merz.

O comentário referiu-se a ameaça do presidente estadunidense, Donald Trump, de não convidar o homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, para o próximo encontro do grupo, marcado para novembro, nos EUA.

"Se vai tirar a África do Sul hoje, daqui a pouco vão tirar a Alemanha, depois vão tirar o Brasil. Se a gente não se juntar, dar as mãos, eles vão tirando um por um. Aqui não é o Conselho da Paz [criado e controlado por Donald Trump, presidente dos EUA].

O mandatário brasileiro afirmou que as acusações de Trump sobre um "genocídio branco" no país africano são inverídicas, e que ele não tem o direito nem o poder de vetar a participação de um país do G20, o que fragilizaria o grupo.

Trump afirmou publicamente em algumas ocasiões que a África do Sul discrimina cidadãos brancos. Em maio de 2025, durante conversa com Ramaphosa na Casa Branca, Trump apresentou vídeos que, segundo ele, comprovariam violência contra fazendeiros brancos no país, chamando o que estaria ocorrendo de genocídio.

Ao reafirmar que o G20 é um fórum multilateral, ele lembrou que a África do Sul é um dos membros fundadores do bloco, logo após a crise econômica de 2008.

"Uma crise nascida no coração dos EUA. Aquilo foi criado para resolver problemas econômicas. Os 20 membros fundadores têm o direito de participar", disse.

Acordos assinados na Alemanha

Em seu segundo e último dia de agendas em Hanôver, ele participou da abertura do pavilhão brasileiro da Feira Industrial de Hanôver (Hannover Messe 2026), considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do planeta.

Uma série de acordos bilaterais foram firmados na ocasião em setores como defesa, inteligência artificial, economia circular, infraestrutura sustentável e energias renováveis.

No evento, Lula ressaltou que a Alemanha é a terceira economia mundial e quarto parceiro comercial do Brasil, com intercâmbio de US$ 21 bilhões (R$104 bilhões), além de um estoque de investimentos diretos superior a US$ 40 bilhões (R$ 198, bilhões).

Mercosul e UE

O Acordo Mercosul-União Europeia (UE), previsto para entrar em vigor em 1º de maio, simbolizar uma aposta conjunta no multilateralismo, na prosperidade compartilhada e em regras comerciais equilibradas, afirmou Lula.

"A entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, no dia 1º de maio, abre espaço para uma parceria abrangente, que vai muito além do livre comércio. Estamos falando de um modelo de cooperação que valoriza e protege os trabalhadores, os direitos humanos e o meio ambiente”, disse ele.

Ontem (19), ele discursou na cerimônia de abertura da Feira e destacou políticas públicas para incentivar a indústria, o fortalecimento do multilateralismo e cooperação na exploração de minerais críticos.

Em viagem oficial à Europa, Lula esteve na Espanha e, da Alemanha, terminará a visita em Portugal antes de retornar ao Brasil.


Por Sputinik Brasil