TECNOLOGIA

Usuários, exploradores ou construtores? Maioria dos profissionais brasileiros se consideram "no nível básico da IA"

Pesquisa da Conquer revela que apenas uma minoria desenvolve soluções próprias, enquanto 9 em cada 10 profissionais não conseguem tirar ideias do papel

Por Conversion News Publicado em 20/04/2026 às 11:46
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Usuário, explorador ou construtor de soluções em IA? No Brasil, a maior parte dos profissionais ainda se enxerga no primeiro grupo.

Durante um levantamento da Conquer, escola de negócios que oferece cursos de liderança e desenvolvimento profissional, 56,6% dos respondentes se definiram como usuários “básicos” da tecnologia, enquanto apenas uma minoria afirma utilizá-la de forma mais avançada, criando soluções próprias ou aplicações estruturadas. 

Tal retrato ajuda a explicar um paradoxo cada vez mais comum dentro das empresas: embora a inteligência artificial já faça parte da rotina de trabalho, seu uso ainda se concentra em tarefas simples, como gerar textos, imagens ou responder dúvidas pontuais — distante de aplicações mais estratégicas ou integradas ao negócio.

Ao mesmo tempo, a ambição parece não ser o problema. A maioria dos profissionais brasileiros já teve ideias promissoras envolvendo IA, mas 9 em cada 10 ainda sentem que não conseguem tirá-las do papel, evidenciando um gap entre explorar a tecnologia e, de fato, construir com ela. Leia mais: 

Quais são os principais usos da IA no ambiente de trabalho em 2026? 

Se, há alguns anos, o uso da inteligência artificial estava restrito a certas áreas, em 2026, é possível dizer que tais tecnologias já se consolidaram no dia a dia de muitas empresas brasileiras — movimento que, como evidencia a Conquer, deixou de ser novidade para se tornar parte da rotina em diferentes setores e funções. 

Quando questionados pela escola de negócios, a maioria dos profissionais ouvidos confirmaram que interagem com essas ferramentas há algum tempo. De acordo com o estudo, 30,4% deles já utilizam IA por cerca de seis meses a um ano, enquanto 41% afirmaram fazer uso de soluções como o ChatGPT e Gemini há mais de um ano, indicando uma adoção consistente dentro dos escritórios. 

Em um contexto descrito por muitos como a “era da IA agêntica”, mais do que presente, a tecnologia também vem ganhando novas camadas de aplicação no ambiente corporativo. Quando o assunto são os agentes de IA, por exemplo, 55,8% dos entrevistados compartilharam utilizá-los no dia a dia para a geração de conteúdo, quando não para analisar dados, extrair insights e elaborar relatórios (47,2%). 

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Outros impactos dos agentes também reforçam o papel da IA na organização profissional. Isso porque, dos respondentes, 4 em cada 10 utilizam essas ferramentas para organizar tarefas, agendas e demandas do dia a dia, enquanto 38,2% recorrem à tecnologia durante o atendimento ao cliente, por meio de respostas automáticas e chatbots. 

Brasileiros têm boas ideias envolvendo a IA, mas ainda esbarram na execução 

Mesmo presente na rotina dos times e equipes, algo que o levantamento da Conquer descobriu é que, em um momento de alta popularidade da IA, muitos profissionais ainda se veem em um estágio inicial de uso da tecnologia, recorrendo às ferramentas principalmente para tarefas simples — sem explorá-las para criar soluções, integrações ou aplicações mais avançadas.

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Ao refletirem sobre a própria relação com tais tecnologias, por exemplo, a maioria dos respondentes se definem como “usuários de IA”, grupo que reconhece utilizar plataformas como ChatGPT apenas para demandas pontuais, como escrever textos, responder dúvidas ou gerar ideias (56,6%). Já 26,4% se consideram “exploradores”, buscando novas ferramentas e testando algumas automações simples no dia a dia. 

Na outra ponta, os chamados “construtores de soluções” — isso é, aqueles que vão além do uso básico e de fato constroem com apoio da tecnologia — ainda são minoria.

Ao longo do estudo, aliás, apenas 11,6% dos profissionais afirmaram utilizar a IA de forma avançada, criando soluções próprias ou desenvolvendo aplicações estruturadas. O número explica uma dor compartilhada por 9 em cada 10 respondentes: a sensação de ter ideias promissoras, mas ainda não ser capaz de colocá-las em prática. 

Afinal, o que impede os profissionais de evoluírem no uso da IA? 

Na prática, tal descompasso entre ter boas ideias e executá-las não acontece por acaso. Entre os obstáculos citados, por exemplo, estariam a falta de conhecimento técnico (41%), a maior das dores, a dificuldade em escolher as ferramentas mais adequadas (32%) e, ainda, a ausência de incentivo por parte das empresas (21,6%), apenas alguns dos fatores que acabam limitando o avanço no uso estratégico da tecnologia. 

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A constatação, vale dizer, vem acompanhada de um alerta. Para 80% dos entrevistados, nos próximos anos, profissionais que apenas utilizam IA devem ser substituídos por aqueles que sabem idealizar, modelar e construir projetos com ajuda da tecnologia, o que reforçaria a urgência de desenvolver novas habilidades para se manter relevante e competitivo.  

“Embora muitas pessoas abandonem ideias relevantes devido à falta de conhecimento técnico, a boa notícia é que, graças às plataformas no-code e low-code, todo profissional pode criar e construir com ajuda da IA mesmo sem dominar a programação”, comenta Juliana Alencar, Diretora de Marketing da Conquer. “É um pouco do que abordaremos no Conquer AI Summit, encontro gratuito que acontece em 22 e 23 de abril e mostrará como estruturar uma solução do zero, preparando as pessoas para o futuro da IA dentro e fora das empresas”. 

Metodologia 

Para compreender como os brasileiros usam a IA no trabalho, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 profissionais (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.

Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, em que puderam avaliar os próprios perfis enquanto usuários, seus níveis de entendimento em relação às ferramentas e as principais dores quando o assunto é a IA. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere cada alternativa apontada pelos entrevistados.