EMERGÊNCIA CLIMÁTICA

Belém decreta emergência após chuva recorde

Temporal histórico atinge mais de 150 mm em menos de 24 horas e agrava vulnerabilidade de bairros; prefeitura busca apoio estadual e federal

Publicado em 20/04/2026 às 09:45
Belém decreta emergência após chuva recorde Reprodução IA

A Prefeitura de Belém decretou estado de emergência na noite de domingo, 19, após um recorde de chuva atingir a cidade. Segundo o órgão municipal, foram registrados mais de 150 milímetros de novidades em menos de 24 horas , volume equivalente a quase metade do esperado para todo o mês de abril.

De acordo com publicação nas redes sociais da administração municipal, tratou-se de "uma das chuvas mais intensas dos últimos dez anos".

Até o momento, a prefeitura não divulgou o número de pessoas atingidas diretamente pelo temporal.

“A gente sabe que tem muita gente passando dificuldade nesse momento de chuva, mas estamos trabalhando empenhados para garantir que a normalidade volte”, declarou o prefeito Igor Normando.

Segundo o prefeito, o decreto de emergência foi assinado para viabilizar a coleta de recursos junto aos governos estadual e federal, facilitando uma resposta à crise.

A situação foi agravada pela maré alta , que alcançou 3,6 metros e dificultou o escoamento da água, conforme informou a prefeitura.

A Defesa Civil municipal, por meio de um comitê integrado, coordena as ações emergenciais, incluindo reforço nos abrigos, atendimento às famílias afetadas, limpeza de canais e bueiros e intervenções em pontos de alagamento.

O bairro Terra Firme foi o mais impactado até o momento. Em novembro, durante a Cúpula do Clima da ONU (COP-30), o Estadão visitou a região e relatou os desafios enfrentados pela população local, agravados pela crise climática.

Além da Terra Firme, os bairros Condor, Jurunas, Icoaraci, Tapanã, Parque Verde e Cabanagem também sofreram com os efeitos do temporal.

Composto por ilhas, Belém é especialmente vulnerável às variações das marés dos rios e à intensificação das chuvas. Falhas de infraestrutura agravaram o cenário, tornando a população mais pobre ainda mais exposta.

Um estudo liderado pelo Ministério das Cidades acordos cerca de 400 áreas de risco de desastres na capital paraense. Os alagamentos figuram entre os principais problemas de infraestrutura apontados, e o relatório ressalta a necessidade de obras de canalização, microdrenagem e limpeza dos sistemas de remoção de resíduos.

Para auxiliar os atingidos, a prefeitura instituiu um ponto de coleta de doações na Aldeia Amazônica, no bairro Pedreira. Estão sendo arrecadados colchões, itens de higiene pessoal, cestas básicas, alimentos não perecíveis e roupas.