DISCURSO INTERNACIONAL

Lula questiona papel do Conselho de Segurança da ONU diante de conflitos globais

Durante evento na Alemanha, presidente critica inação dos membros permanentes e defende destinação de recursos para combater a fome e apoiar migrantes.

Publicado em 19/04/2026 às 15:43
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou, neste domingo (19), a criticar os conflitos armados ao redor do mundo e cobrou maior empenho dos cinco países integrantes permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para o fim das guerras. O órgão é composto por Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China.

"Não é possível que as pessoas não compreendam que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU... O Conselho foi criado para que eles mantivessem a paz, a harmonia, para evitar a repetição da Segunda Guerra Mundial. E hoje o mundo vive a maior quantidade de conflitos da sua história", declarou Lula durante discurso na feira industrial de Hannover, na Alemanha.

O presidente prosseguiu: "É de se perguntar ao presidente Trump, ao presidente Putin, ao presidente Xi Jinping, ao presidente Macron e ao primeiro-ministro do Reino Unido: Para que serve o Conselho de Segurança da ONU? Por que vocês não se reúnem e não param com essas guerras?"

Lula ressaltou ainda que o mundo destina US$ 2,7 trilhões para guerras e "nada contra a fome" e políticas migratórias. "Por que não decidem destinar o dinheiro que está fazendo guerra, matando e destruindo, para cuidar dos milhões de flagelados que estão andando pelo mundo à procura de um país que os receba e, agora, os coitados que procuram sobreviver não são aceitos por parte de nenhum país?", questionou.

O presidente também afirmou não ter nada contra os imigrantes, destacando que a imigração faz parte da história do Brasil.

Lula voltou a defender a redução da jornada de trabalho. Segundo ele, discute-se muito os impactos da inteligência artificial, mas "poucos falam dos trabalhadores". "É importante que a inteligência artificial, ao ser pensada e estudada, leve em conta que o planeta Terra é habitado por seres humanos", afirmou.

Paradoxos

Lula afirmou que o mundo vive paradoxos e, sem citar países, disse que "alguns membros" permanentes do Conselho de Segurança agem sem respaldo da Carta da ONU. Em tom antibélico, criticou o uso da tecnologia para a promoção de guerras.

"A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais. Alguns membros permanentes do Conselho de Segurança agem sem amparo da Carta da ONU. Além de inestimáveis perdas humanas, as guerras causam prejuízos econômicos palpáveis", declarou.

O presidente destacou ainda que os conflitos têm elevado os preços do petróleo, alimentos e fertilizantes, e voltou a defender um "multilateralismo justo e equilibrado", com fortalecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC). Também mencionou o recente acordo entre Mercosul e União Europeia.

Lula acrescentou que seu governo está reconstruindo "um robusto programa de reindustrialização" baseado na economia verde e ressaltou que o mundo tem testemunhado, nas últimas décadas, o "avanço de forças antidemocráticas".

"Sabemos que os ganhos da integração de mercados não vêm sendo igualmente distribuídos. O crescimento do extremismo é um dos efeitos das limitações de um modelo cujos benefícios não chegam a todas as pessoas", concluiu.