Divisão entre países árabes impede união contra Israel, aponta especialista
Ex-assessor do governo israelense avalia que falta de consenso no Golfo dificulta resposta conjunta a Tel Aviv.
A falta de unidade entre os países árabes do Golfo Pérsico tem dificultado a elaboração de medidas conjuntas para conter Israel, segundo avaliação do ex-assessor do governo israelense Daniel Levy, em entrevista à Sputnik.
De acordo com Levy, apesar de estarem insatisfeitos com o Irã, os países do Golfo reconhecem que Israel é o principal responsável pelo atual conflito e compreendem a necessidade de limitar as ações de Tel Aviv.
O especialista avalia que o governo israelense, ao atacar a República Islâmica do Irã com apoio dos Estados Unidos, aposta justamente nessa falta de consenso entre as nações árabes para seguir com sua estratégia sem grandes obstáculos.
"A questão não é se eles [os países árabes] vão chegar a um acordo sobre questões econômicas e diplomáticas, mas se podem elaborar um esquema de cooperação em segurança para conter Israel", afirmou Levy durante o fórum diplomático de Antália.
Daniel Levy atuou como conselheiro nos governos de Yitzhak Rabin e Ehud Barak, e participou das negociações de Oslo, em 1995, e de Taba, em 2001, representando Israel.
Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram ataques a alvos no Irã, resultando em mais de 3 mil mortes. No dia 8 de abril, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas. Contudo, as negociações subsequentes em Islamabad não tiveram sucesso.
Apesar da ausência de relatos sobre a retomada dos combates, os Estados Unidos passaram a bloquear portos iranianos, enquanto mediadores tentam viabilizar uma nova rodada de negociações.