SAÚDE

Medicamento contra progressão do Alzheimer chega ao Brasil em junho

Lecanemabe, aprovado pela Anvisa, promete retardar avanço da doença e terá preço inicial de R$ 8 mil

Publicado em 19/04/2026 às 08:01
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Lecanemabe, novo medicamento para tratamento do Alzheimer, estará disponível no mercado brasileiro a partir de junho, após aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro.

O preço sugerido para um mês de tratamento é de R$ 8.108,94, sem taxas e impostos. Com a aplicação de uma alíquota de 18%, comum na maioria dos Estados, o valor pode alcançar R$ 11.075,62.

O lecanemabe é um medicamento biológico, desenvolvido a partir de organismos vivos, como células e tecidos, e atua de forma específica no organismo. No combate ao Alzheimer, o remédio age sobre as protofibrilas de beta-amiloide, formas tóxicas da proteína que se acumulam no cérebro e levam à morte de neurônios.

De acordo com Tatiana Branco, diretora da área médica da Biogen no Brasil, farmacêutica responsável pelo produto, o principal diferencial do lecanemabe é seu duplo mecanismo de ação. O medicamento não apenas remove a porção tóxica da beta-amiloide já presente no cérebro, como também reduz a formação de novas placas. "Observamos, no estudo clínico, uma redução de 27% no declínio e no comprometimento clínico dos pacientes que utilizaram o medicamento ao longo de 18 meses", afirma. Os resultados foram publicados no periódico New England Journal of Medicine. Ao todo, 1.795 pessoas participaram da análise, realizada em centros da América do Norte, Europa e Ásia.

Atenção ao uso

Rodrigo Nascimento, diretor médico da Eisai no Brasil, empresa também responsável pelo produto, ressalta que o lecanemabe é indicado para evitar a progressão da doença. "Ele não tem como finalidade reverter o que já aconteceu do ponto de vista cognitivo", explica.

Segundo Nascimento, o medicamento deve ser utilizado nas fases iniciais do Alzheimer, como o comprometimento cognitivo leve e a demência leve associada ao quadro. "Por isso, é fundamental o diagnóstico precoce, para que os pacientes possam obter o melhor benefício que o medicamento pode proporcionar."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.