SAÚDE MENTAL NAS EMPRESAS

Às vésperas da vigência da NR-1, apenas 10,7% das empresas têm programa estruturado

Nova norma exige ações para mapear e mitigar riscos à saúde mental dos trabalhadores, mas maioria das empresas ainda não está preparada.

Publicado em 19/04/2026 às 07:07
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A poucas semanas do início da vigência plena da Norma Regulamentadora n.º 1 (NR-1), que passa a reconhecer oficialmente os riscos à saúde mental como parte dos riscos ocupacionais, as empresas brasileiras ainda apresentam um cenário insuficiente em relação à implementação de programas corporativos estruturados sobre o tema.

A partir de 26 de maio deste ano, por determinação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), todas as companhias em operação no Brasil deverão adotar ações para identificar e mitigar riscos que afetam a saúde mental dos trabalhadores, como estresse, assédio moral e sobrecarga de trabalho.

Apesar da obrigatoriedade, somente 10,7% das organizações no país contam atualmente com uma estratégia de saúde mental plenamente estruturada, incluindo programas integrados, mensuração de resultados e impacto contínuo nos negócios.

O dado faz parte de um levantamento realizado em março, durante a 1.ª edição do fórum HR First Class Rio de Janeiro, que debateu o tema "A relevância e o impacto da saúde mental nas empresas". A pesquisa reuniu 300 respondentes — lideranças de Recursos Humanos (RH) — de grandes e médias empresas dos setores varejista, industrial, de energia e de serviços.

Entre os principais obstáculos para o avanço da agenda de saúde mental nas organizações, os entrevistados apontaram a falta de métricas claras e de capacidade para mensurar investimentos (41,1%), além de limitações orçamentárias ou concorrência com outras prioridades (28,6%).

Segundo Marcos Scaldelai, diretor executivo do HR First Class e porta-voz do estudo, a ausência de uma agenda mais consolidada reflete a falta de inserção do tema na cultura corporativa. "Infelizmente, a alta liderança ainda não coloca a saúde mental como prioridade nas estratégias de negócios, tratando o assunto apenas como responsabilidade do RH. A saúde mental precisa estar inserida na cultura da empresa", avalia.

Cultura

As empresas consideradas mais maduras em seus programas de saúde mental já conseguem mensurar ganhos relevantes. Segundo o levantamento, 8,9% das companhias relatam impactos positivos superiores a 20% em indicadores como absenteísmo, presenteísmo, produtividade e custos com saúde.

De acordo com o estudo, companhias que transformarem essas ações em modelos de gestão orientados por dados e conectados ao negócio tendem a obter maior valor, tanto em performance quanto em sustentabilidade organizacional.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.