Mídia: guerra no Irã expõe fragilidade econômica dos EUA e eleva pressão interna
Trump busca uma saída diplomática após semanas de guerra com o Irã, pressionado pela disparada dos preços da energia, pela inflação e pelo desgaste político interno, enquanto Teerã usa o controle do estreito de Ormuz para expor a vulnerabilidade econômica dos EUA e influenciar as negociações.
Sete semanas de guerra expuseram um ponto sensível do governo dos Estados Unidos: a vulnerabilidade econômica. Embora os ataques conjuntos de Washington e Israel não tenham derrubado a liderança iraniana nem forçado Teerã a aceitar todas as exigências apresentadas, o conflito deixou claro para aliados e rivais que a pressão interna sobre a economia norte-americana limita o alcance das ações militares do presidente Donald Trump.
Mesmo com o anúncio da reabertura do estreito de Ormuz, a crise revelou os limites da disposição da Casa Branca em suportar custos domésticos, segundo a Reuters.
O aumento dos preços da gasolina, a inflação em alta e a queda nos índices de aprovação levaram Trump a buscar rapidamente uma saída diplomática, após semanas defendendo a ofensiva com base em supostas ameaças iminentes ligadas ao programa nuclear iraniano.
O Irã sofreu danos militares significativos, mas demonstrou capacidade de impor custos econômicos globais, desencadeando o que analistas descrevem como o pior choque energético da história. Embora os EUA não dependam diretamente do petróleo que deixou de circular pelo estreito, o impacto sobre os preços da energia atingiu consumidores e elevou o risco de recessão, segundo alertas do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A pressão política também cresceu. Com as eleições de meio de mandato se aproximando, parlamentares republicanos temem o desgaste provocado por uma guerra impopular. De acordo com a apuração, Teerã percebeu essa fragilidade e usou o controle sobre a rota estratégica para forçar Washington a negociar.
A Casa Branca insiste que mantém o foco na agenda econômica, mesmo enquanto tenta fechar um acordo com o Irã. Mas a guinada abrupta de Trump, que passou de ataques aéreos à diplomacia em 8 de abril, refletiu a pressão dos mercados financeiros e de setores de sua própria base, especialmente agricultores afetados pela interrupção no fornecimento de fertilizantes e consumidores impactados pelo aumento das passagens aéreas.
A trégua de dez dias entre Israel e Líbano mediada pelos EUA trouxe alívio temporário aos mercados, com queda acentuada nos preços do petróleo. Trump declarou rapidamente o estreito seguro e afirmou que um acordo estava próximo, embora fontes iranianas tenham indicado que ainda havia divergências importantes. Especialistas afirmaram à reportagem que, mesmo com um cessar-fogo duradouro, os danos econômicos levarão meses ou anos para serem revertidos.
Um ponto central das negociações envolve o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido, que autoridades norte-americanas afirmam ter sido enterrado por ataques anteriores. Trump disse que o acordo prevê cooperação para recuperar o material e levá-lo aos EUA, algo que Teerã nega ter aceitado. Paralelamente, o apelo inicial do presidente para que iranianos derrubassem seu governo não teve qualquer efeito.
A condução unilateral da guerra deixou aliados desconfortáveis. Países europeus e asiáticos foram surpreendidos pela decisão de Trump de iniciar o conflito sem consulta prévia, apesar dos riscos diretos que o fechamento do estreito representava para eles.
Erros de cálculo também marcaram a estratégia inicial. Assim como na disputa comercial com a China, autoridades afirmam que Trump subestimou a capacidade iraniana de retaliar economicamente, atacando infraestrutura energética no Golfo e bloqueando uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.
O desgaste político interno cresce. Embora a maioria da base MAGA (em referência ao lema "Make America Great Again") permaneça fiel, vozes dissidentes se multiplicam, e analistas avaliam que Trump enfrenta dificuldades para recuperar apoio entre os independentes antes das eleições de meio de mandato. A percepção de que o país está pagando um preço elevado por uma guerra evitável pode ter consequências duradouras para o governo, concluiu a mídia.
Por Sputinik Brasil