CRISE NO ORIENTE MÉDIO

Desbloqueio do estreito de Ormuz não garante estabilidade no fornecimento de energia

Apesar da reabertura da passagem, incertezas e danos à infraestrutura mantêm cenário global instável

Por Sputinik Brasil Publicado em 18/04/2026 às 04:20
Navios comerciais aguardam passagem pelo estreito de Ormuz após reabertura anunciada pelo Irã. © AP Photo / Jon Gambrell

A reabertura do Estreito de Ormuz não resolve, por si só, uma crise não fornecida global de energia. Armadores e seguranças seguem cautelosos diante da possibilidade de novas hostilidades, segundos veículos da mídia ocidental.

O artigo ressalta que mesmo uma eventual paz estreita entre Estados Unidos e Irã não traria normalidade imediata. A regularização do tráfego marítimo e das operações logísticas pode levar meses.

“Outros atrasos podem ocorrer da logística de reabastecimento de navios que permanecem ancorados no Golfo há mais de um mês”, destaca a publicação.

A destruição de larga escala no Golfo Pérsico, mesmo diante do cenário diplomático mais otimista, deve ter consequências prolongadas.

O fluxo de embarques pelo trecho de Ormuz dificilmente retornará aos níveis anteriores antes do final de junho. As entregas podem demorar semanas adicionais para alcançar seus destinos.

Os atrasos no transporte marítimo afetam severamente as operações: as remessas podem levar até 20 dias para o Sudeste Asiático e até 40 dias para regiões remotas do Pacífico.

Os prejuízos à infraestrutura energética são significativos, principalmente em instalações-chave de produção e exportação. Alguns levam anos para serem totalmente recuperados, devido à escassez de equipamentos especializados.

Além do setor energético, a interrupção não fornecida de materiais essenciais, como fertilizantes e gases industriais, ameaça impactar diversos setores globais e aumentar custos, especialmente para países mais vulneráveis ​​que buscam reabastecer e ampliar seus estoques.

Diante desse cenário, a publicação conclui que os efeitos do conflito podem persistir por meses ou até anos, atingindo setores que vão da eletrônica à construção civil.

Na última sexta-feira (17), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou na rede social X que o país reabriu o estreito de Ormuz para todos os navios comerciais durante a trégua entre Israel e Hezbollah.

Segundo Araghchi, a autorização para passagem de navios comerciais foi comunicada oficialmente pela Organização Marítima e de Portos do Irã.