Trump afirma que principal lição da OTAN é confiar apenas nos EUA
Presidente dos EUA volta a criticar aliados e sugere possível saída da aliança militar após falta de apoio em ações contra o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (17) que a principal lição que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) pode deixar a Washington é a necessidade de confiar apenas em suas próprias capacidades, sem depender de aliados ou fontes externas.
“Se a OTAN ensinar algo aos EUA, é que devemos contar conosco mesmos”, afirmou durante um evento do movimento conservador Turning Point, no estado do Arizona.
Trump voltou a criticar os parceiros da aliança militar, dizendo que países membros não apoiaram os Estados Unidos em uma operação contra o Irã. “Não podemos depender de outros países e de fontes externas”, reforçou.
As declarações ocorrem após o presidente sinalizar, em entrevista à mídia europeia no início do mês, que considera seriamente a possibilidade de retirar os Estados Unidos da OTAN devido à falta de apoio do bloco em recentes ações militares. Na ocasião, Trump também classificou a entidade como um “tigre de papel”.
“Eu nunca acreditei na OTAN. Sempre soube que eles eram um tigre de papel – e [Vladimir] Putin sabe disso também, a propósito”, afirmou Trump, acrescentando que a recusa da OTAN em apoiar os EUA foi “difícil de acreditar”. “Acho que isso deveria ser automático”, explicou.
Impactos da guerra no Irã
O analista militar e ex-oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Scott Ritter, afirmou neste mês que, de fato, os EUA acabaram com a OTAN e se distanciaram dos países árabes durante o conflito no Irã.
“Foi um enorme erro estratégico [...]. O mundo inteiro mudou. Eu diria que esse evento marcou o fim do império [...]. A OTAN praticamente deixou de existir”, destacou.
Segundo Ritter, Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, discutiram a retirada de 100 mil militares do continente europeu e a necessidade de uma abordagem mais seletiva na escolha dos países apoiados por Washington.
Nesse contexto, o especialista ressaltou que essa nova postura representa o fim da defesa coletiva no âmbito da OTAN. Ritter também apontou que um mês e meio de acontecimentos no Irã anulou 40 anos de esforços dos EUA para conquistar aliados ao redor do mundo.
Por Sputnik Brasil