GUERRA FRIA

Como a Baía dos Porcos ainda define o conflito entre EUA e Cuba 65 anos depois da invasão fracassada

Tentativa frustrada de invasão em 1961 marcou a política externa dos EUA e consolidou a resistência cubana, com reflexos até hoje.

Publicado em 17/04/2026 às 22:42
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Símbolo da resistência cubana, a fracassada invasão militar da Baía dos Porcos, patrocinada pelos Estados Unidos em abril de 1961, permanece como um dos maiores constrangimentos estratégicos da política externa norte-americana durante a Guerra Fria.

A professora Miriam Gomes Saraiva recorda que a Revolução Cubana, em 1959, deixou marcas profundas no imaginário do governo dos EUA, que via a ilha como uma extensão de seu território: "Havia muitas casas de norte-americanos que iam lá passar férias, usufruir de praia, cassinos e outros benefícios que a ilha tinha. A Revolução Cubana para eles é quase como se tirasse um pedaço do território deles, como se alguém hoje resolvesse tirar Porto Rico, por exemplo. A Baía dos Porcos foi talvez uma última tentativa de tentar reverter o processo revolucionário, que já tinha mais de dois anos", explica.

Para Eduardo Mergulhão, diretor da Associação Cultural José Martí do Rio de Janeiro (ACJMRJ), um dos motivos para o fracasso da invasão foi a subestimação, por parte dos EUA, do poder e da unidade popular estabelecidos após a revolução. Ambos os especialistas destacam que o insucesso da operação resultou em um apoio mais enfático da então União Soviética ao governo cubano.

"Hoje, quando Cuba está sendo ameaçada de ser invadida ou bombardeada, é muito bom resgatar o aniversário de Playa Girón [...], a Revolução Cubana produziu uma série de conquistas populares importantes, inclusive para a região", ressalta Mergulhão.

Por Sputnik Brasil