Cuba deve sentir nos próximos dias efeitos de ajuda petrolífera da Rússia, diz presidente
Primeiro carregamento russo, com 100 mil toneladas de petróleo, já foi refinado e distribuído para aliviar crise na ilha.
A população cubana começará a sentir nos próximos dias os efeitos do recente envio de petróleo da Rússia, após a distribuição dos derivados obtidos com o refino do combustível. A afirmação foi feita nesta sexta-feira (17) pelo presidente Miguel Díaz-Canel.
"A partir de hoje ou amanhã, durante alguns dias, já será possível perceber os resultados dessa ajuda russa", declarou o mandatário, referindo-se às cerca de 100 mil toneladas de petróleo enviadas por Moscou para enfrentar a atual crise energética na ilha.
Segundo Díaz-Canel, o carregamento passou por processo de refino antes de ser distribuído, e os efeitos dessa injeção energética devem começar a ser notados nas próximas horas, em meio às dificuldades do sistema nacional.
O presidente destacou que o apoio russo vai além do volume fornecido. Embora o combustível cubra apenas cerca de um terço da demanda mensal do país, a iniciativa abre espaço para que outras nações defendam o direito de fornecer petróleo à ilha.
"É um fato significativo, um gesto de apoio e de solidariedade com Cuba em momentos difíceis, como a Rússia e o povo russo sempre fizeram", afirmou.
Díaz-Canel também ressaltou que a cooperação energética entre os dois países segue ativa e foi discutida recentemente em reuniões da comissão intergovernamental conjunta.
O envio foi concluído em 4 de abril, com a descarga do navio russo Anatoli Kolodkin no porto de Matanzas, transportando cerca de 100 mil toneladas de petróleo como ajuda humanitária.
O cenário ocorre em meio à pressão dos Estados Unidos, cujo então presidente Donald Trump determinou, em janeiro, a imposição de tarifas sobre importações de países que forneçam petróleo a Cuba.
Segundo Havana, essas medidas agravaram a escassez de combustível no país, afetando a geração de energia elétrica e setores estratégicos como transporte, produção de alimentos, saúde e educação. Díaz-Canel classificou as ações de Washington como um "bloqueio energético" e criticou o que chamou de política "agressiva e criminosa" contra a ilha.
Além da Rússia, países parceiros como China, Brasil e Colômbia enviaram ajuda humanitária à ilha, incluindo alimentos, medicamentos, utensílios domésticos, produtos de higiene, painéis solares, entre outros insumos fundamentais para o funcionamento de hospitais e serviços básicos.