Europa pode pagar alto preço por bloqueio dos EUA ao estreito de Ormuz, aponta analista
Especialista prevê consequências severas para economia europeia diante de interrupções no transporte de energia e choque inflacionário.
Países europeus devem enfrentar graves consequências econômicas devido à interrupção do transporte nos estreitos de Ormuz e Bab al-Mandeb, em meio ao bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos, afirmou à Sputnik o economista libanês Imad Akoush.
O especialista ressaltou que as consequências para a economia europeia serão "severas", embora não necessariamente levem a um colapso generalizado.
Segundo Akoush, o maior risco não está apenas no bloqueio dos navios com destino aos portos iranianos, mas também na coincidência desses eventos com a interrupção da navegação no Golfo Pérsico e o consequente choque energético.
Em sua avaliação, o colapso da navegação no Oriente Médio terá impacto direto sobre os preços de energia.
"Embora o gás natural liquefeito que passa pelo estreito de Ormuz represente apenas 7% do fornecimento para a Europa, os preços são determinados globalmente. Qualquer déficit eleva o custo para todos, colocando o continente em risco de 'estagflação'", explicou Akoush.
O segundo impacto virá por meio da inflação. O especialista destacou que o Banco Central Europeu está monitorando de perto o choque energético, que elevou as expectativas inflacionárias a níveis inéditos.
O terceiro problema afetará diretamente a indústria, os transportes e o setor de serviços. Indústrias com alto consumo energético, como química, metalurgia, fertilizantes e fabricação de vidro, serão as primeiras a sentir os efeitos.
A quarta consequência econômica será um déficit agudo de combustível para aviação. Akoush lembrou que, anteriormente, a Europa dependia em 75% das importações do Oriente Médio, mas a interrupção dos suprimentos levou os países europeus a recorrerem a compras recordes dos Estados Unidos.
O economista alertou que alguns países do continente ficarão mais vulneráveis, especialmente os industrializados com alto consumo de energia ou elevado endividamento.
Ele prevê uma "asfixia econômica" em determinados setores, além de crises nas viagens aéreas e na indústria química, caso a crise persista.