RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Ministro da Fazenda nega diálogo com EUA sobre classificar CV e PCC como terroristas

Dario Durigan afirma que não houve tratativas com autoridades norte-americanas sobre rotular facções brasileiras como organizações terroristas.

Publicado em 17/04/2026 às 17:33
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante agenda em Washington, nega diálogo sobre classificação de facções como terroristas. © Foto / Washington Costa / Ministério da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou nesta sexta-feira (17) ter participado de reuniões com autoridades dos Estados Unidos para discutir a possível classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

Segundo informações da imprensa brasileira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, teria sido alertado por Washington sobre os interesses da Casa Branca nesse sentido.

Durante agenda oficial em Washington, Durigan afirmou a jornalistas brasileiros que não manteve conversas com representantes do governo dos EUA sobre o tema.

"Primeiro que não se tratam de organizações terroristas. São organizações perigosas, criminosas, que têm que ser enfrentadas com rigor da lei. Então, eu acho que se a gente tiver mais cooperação [...] a gente consegue coibir essa entrada de armamento [dos EUA] no país, já ajuda o nível de letalidade e violência que essas organizações têm no Brasil."

Reportagem do portal Metrópoles aponta que Galípolo foi notificado pelas autoridades americanas sobre a intenção de incluir o CV e o PCC na lista de organizações terroristas, posição já rechaçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durigan também foi questionado sobre a investigação da Seção 301, aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apura práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil. O ministro esclareceu que esse tema é de responsabilidade do Itamaraty.

"A gente discutiu com os norte-americanos inteligência artificial, stablecoin, a necessidade de aumentar as cooperações internacionais de curto e longo prazo. Eles disseram como estão vendo o momento na guerra, mas a gente não entrou especificamente no tema da [Seção] 301."

Sobre o cenário internacional, Durigan destacou que o conflito no Irã foi o principal assunto das reuniões entre autoridades econômicas em Washington, durante reuniões do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele ressaltou a importância de mitigar os efeitos da guerra, sem deixar de lado as agendas de longo prazo.

"A tendência aqui é que o mundo deve crescer menos e com uma pressão inflacionária maior, o que bota os bancos centrais mundo fora em uma situação de rever um posicionamento que não fez sentido de diminuir a taxa de juros. Eventualmente, os bancos centrais vão ter que rever esse posicionamento."

O programa contra divisão está pronto

Durigan confirmou à imprensa que o novo programa federal de combate ao endividamento está pronto, aguardando apenas a aprovação do presidente Lula para ser anunciado.

“O que a gente vai fazer é mobilizar a garantia, de modo que os próprios bancos consigam dar um desconto e depois refinanciem um juro mais barato uma dívida diminuída, então, com garantias do Tesouro no caso de inadimplência.”

Segundo o ministro, o objetivo do projeto é reduzir o peso das dívidas mais caras, como as de cartão de crédito.

"Vamos apresentar a parte [do projeto] da família, no primeiro momento, depois dos informais, depois das empresas. Mas tem essas três frentes que nós estamos trabalhando. Famílias, trabalhadores informais e pequenas [empresas]."

Por Sputnik Brasil