DIPLOMACIA INTERNACIONAL

Líderes europeus defendem livre navegação em Ormuz e articulam missão naval

União Europeia e aliados buscam garantir passagem segura no Estreito de Ormuz e rejeitam cobrança de tarifas pelo Irã.

Publicado em 17/04/2026 às 16:56
Estreito de Ormuz, no Oriente Médio © ANSA/AFP

Líderes da União Europeia e de países europeus destacaram a importância da livre navegação no Estreito de Ormuz após a reabertura da rota para navios comerciais, enfatizando que qualquer restrição ou cobrança de tarifas fere o direito internacional.

A chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, afirmou que a passagem por vias como Ormuz deve permanecer "aberta e gratuita", alertando que qualquer tentativa de cobrança criaria um "precedente perigoso" para rotas marítimas globais. Ela reforçou que o Irã deve abandonar planos de taxar o fluxo de embarcações.

Kallas também mencionou que a Europa pode ampliar rapidamente sua presença naval na região, utilizando como base a missão Aspides, já em operação no Mar Vermelho, para proteger o transporte marítimo.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, considerou positiva a reabertura do estreito, mas ressaltou que a solução deve ser "duradoura e viável", sem pedágios ou restrições. Ele informou que Reino Unido, França e parceiros internacionais estão elaborando um plano conjunto para assegurar a liberdade de navegação.

Durante reunião em Paris com cerca de 50 países e organizações, o presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu a reabertura "total, imediata e incondicional" do Estreito de Ormuz por todas as partes envolvidas. O encontro reuniu líderes europeus e representantes de potências globais, como Alemanha, Itália, Canadá, Austrália, além de China e Índia por videoconferência, em um esforço coordenado para reduzir riscos à segurança energética mundial.

França e Reino Unido lideram a articulação de uma missão internacional para proteção da navegação, descrita como "neutra" e desvinculada dos conflitos regionais. Segundo autoridades, a iniciativa pode incluir escoltas a embarcações comerciais, operações de desminagem, compartilhamento de inteligência e coordenação com países costeiros.

O plano prevê avanços rápidos, com reuniões técnicas entre planejadores militares já agendadas para os próximos dias. Mais de uma dezena de países já sinalizaram disposição em contribuir com meios navais e logísticos para a missão.