MERCADO INTERNACIONAL

Petróleo cai quase 10% após reabertura temporária do Estreito de Ormuz

Negociações entre EUA e Irã, além de trégua entre Israel e Líbano, derrubam preços da commodity e aliviam riscos no Oriente Médio.

Publicado em 17/04/2026 às 16:15
Petróleo Reprodução

O petróleo registrou forte queda de quase 10% nesta sexta-feira (17), com o WTI sendo negociado abaixo dos US$ 90 por barril, impulsionado por avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã e pela reabertura temporária do Estreito de Ormuz.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do petróleo WTI para maio encerrou o dia em baixa de 9,41% (US$ 8,58), cotado a US$ 82,59 por barril.

O Brent para junho, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuou 9,06% (US$ 9,01), fechando a US$ 90,38 por barril.

Na semana, o WTI acumulou queda de 14,5%, enquanto o Brent recuou 5,06%.

A intensificação das perdas ocorreu após o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, anunciar que o Estreito de Ormuz está "completamente aberto" durante o cessar-fogo entre Israel e Líbano, elevando as expectativas de resolução do conflito regional. Na quinta-feira, Tel Aviv e Beirute concordaram com uma trégua de 10 dias, iniciada às 18h (horário de Brasília).

Segundo Phil Flynn, analista do Price Futures Group, a pausa nos combates no Oriente Médio, envolvendo o Hezbollah, contribuiu para reduzir riscos de uma escalada regional e trouxe alívio aos prêmios de risco no mercado de petróleo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que "proibiu Israel de bombardear o Líbano" e se referiu ao Estreito de Ormuz como "Estreito do Irã". Apesar da reabertura, Trump destacou que o bloqueio naval norte-americano permanecerá até que um acordo seja firmado.

No cenário econômico, a volatilidade nos preços de energia segue alimentando preocupações inflacionárias. Mary Daly, presidente do Federal Reserve de São Francisco, declarou que o aumento dos custos de energia deve ter impacto mais significativo sobre a inflação do que sobre o crescimento econômico dos EUA. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a guerra no Oriente Médio impulsionará a inflação em toda a América Latina.