CRISE POLÍTICA NO RIO DE JANEIRO

Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj sob boicote; Ricardo Couto segue como governador do RJ

Deputado do PL assume presidência da Assembleia Legislativa em eleição marcada por boicote, enquanto STF mantém desembargador no comando do estado.

Publicado em 17/04/2026 às 16:06
Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj em meio a impasse político e judicial no Rio de Janeiro. © Sputnik Brasil

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) confirmou nesta sexta-feira (17) a eleição do deputado estadual Douglas Ruas (PL) para a presidência da Casa, em um pleito novamente marcado pelo boicote da oposição, que protestou contra o modelo de voto aberto.

Candidato único, Ruas recebeu 44 votos e, em seu discurso de posse, criticou os adversários políticos que tentaram impedir a eleição na Justiça. "Quem defende interinidade está defendendo instabilidade institucional no estado do Rio de Janeiro. Isto tem que ficar claro para os partidos PSD e PDT, que buscam, através de manobras jurídicas, levar o debate político para o Judiciário", afirmou.

No âmbito judicial, o cenário permanece indefinido. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não concluiu o julgamento sobre as regras para a eleição do chamado governo-tampão, após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Até o momento, há maioria provisória a favor da eleição indireta com voto aberto, mas a decisão definitiva ainda pode ser alterada.

Enquanto isso, o comando do estado segue com o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Por decisão do STF, ele permanece no cargo até o julgamento final, mesmo com a escolha de um novo presidente para a Alerj, que seria o primeiro na linha sucessória do estado.

PGR defende realização de eleição direta para governador

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já manifestou posição favorável à realização de eleição direta para definir o novo governador do Rio de Janeiro, que assumiria o cargo de forma temporária até o fim do ano.

Segundo a PGR, mesmo com a renúncia de Cláudio Castro (PL), a vacância decorre, na prática, da declaração de inelegibilidade do ex-governador pela Justiça Eleitoral, o que justificaria a eleição direta no estado. Castro está impedido de disputar cargos eletivos por oito anos devido a abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Levantamento do instituto Real Time Big Data, realizado em março, aponta Eduardo Paes (PSD) na liderança das intenções de voto para as eleições de outubro, com 46%. Ele é seguido por Douglas Ruas (PL), com 13%, e por Itálo Marsili (Novo) e Wilson Witzel (DC), ambos com 5%.

Por Sputinik Brasil