COMANDO FEMININO

PM é chefiada por mulheres em apenas dois Estados brasileiros

Nomeação inédita em São Paulo destaca baixa presença feminina no comando das Polícias Militares do país

Publicado em 16/04/2026 às 14:37
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A nomeação da coronel Glauce Anselmo Cavalli para o comando geral da Polícia Militar de São Paulo — a primeira mulher a assumir o posto em quase dois séculos — representa um feito raro também no contexto nacional. Atualmente, apenas São Paulo e Acre contam com mulheres no comando de suas Polícias Militares, o que equivale a menos de 10% dos 27 Estados brasileiros.

A escolha, feita pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi oficializada nesta quinta-feira, 16, por meio de publicação no Diário Oficial do Estado.

A decisão foi apresentada como um marco histórico para a PM paulista e um avanço na ampliação da presença feminina em cargos de liderança no Estado.

A coronel Glauce sucede o coronel José Augusto Coutinho, que estava no comando da corporação desde maio de 2025. "É uma oficial extremamente preparada para comandar a maior tropa policial do País", afirmou o governador em nota oficial.

Apesar do crescimento da participação feminina nas tropas nos últimos anos, as mulheres ainda são minoria nos postos de maior destaque. Em muitos Estados, nunca houve uma comandante-geral mulher.

As mudanças ainda ocorrem de forma pontual. Antes da nomeação de Glauce Cavalli em São Paulo, apenas o Acre tinha uma mulher à frente da PM: a coronel Marta Renata Freitas, que assumiu o comando em dezembro de 2024, tornando-se a primeira mulher a liderar a corporação em 108 anos de história.

A coronel Marta ingressou na PM em 2005 e atualmente é mestranda em Direitos Humanos, com ênfase em Segurança Pública, pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

O Distrito Federal já teve uma mulher no cargo máximo da Polícia Militar: a coronel Ana Paula Habka, que comandou a instituição entre janeiro e abril de 2024. Após 32 anos de serviço, tornou-se a segunda mulher a ocupar o posto de comandante-geral no DF antes de ir para a reserva.

Especialistas ressaltam que fatores institucionais, culturais e históricos ainda dificultam a ascensão feminina ao comando geral das Polícias Militares, cargos definidos pelos governadores a partir da lista dos oficiais mais antigos. Nesse cenário, a nomeação em São Paulo tem peso simbólico, ao romper barreiras em uma das principais vitrines da segurança pública do País e abrir caminho para novas lideranças femininas.