Durigan afirma que Brasil está em posição forte para enfrentar choque global de energia
Ministro da Fazenda destaca resiliência da economia brasileira diante da alta dos preços internacionais do petróleo e reforça compromisso com estabilidade de preços.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil está em uma "posição forte" para enfrentar os choques globais de preços de energia decorrentes da guerra envolvendo o Irã. A declaração foi feita em documento enviado ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), durante as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, nos Estados Unidos.
"A economia brasileira encontra-se em posição robusta para lidar com os efeitos significativos do choque global nos preços de energia", destacou Durigan no documento.
Segundo o ministro, a inflação no país tem convergido para a meta, resultado de uma política monetária restritiva, o que permitiu ao Banco Central iniciar um ciclo de flexibilização.
Durigan também reforçou ao Comitê do FMI que a autoridade monetária continuará perseguindo a estabilidade de preços. O documento, tradicionalmente assinado pelo ministro da Fazenda, também contou com a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
"O Banco Central continuará a perseguir seu mandato de estabilidade de preços, assegurando, simultaneamente, a estabilidade financeira e buscando suavizar flutuações da atividade econômica e promover o pleno emprego", reiterou Durigan.
Sobre os impactos da guerra, o ministro afirmou que a elevação dos preços internacionais do petróleo tende a ampliar o superávit comercial brasileiro, impulsionando as exportações líquidas. Em 2023, petróleo e derivados representaram cerca de 16% do valor total das exportações brasileiras e aproximadamente 8% das importações, resultando em um saldo líquido positivo próximo a US$ 32 bilhões, conforme detalhou.
Durigan ressaltou ainda que os investimentos contínuos em fontes renováveis de energia e biocombustíveis proporcionaram ao Brasil uma matriz energética "robusta e limpa", reforçando a resiliência da economia nacional. "Todavia, tais efeitos podem ser parcialmente compensados por restrições no acesso a fertilizantes — insumo essencial para as exportações do agronegócio brasileiro —, bem como pela redução da demanda global, elevação dos preços de importação e condições financeiras mais restritivas", ponderou.
O texto assinado por Durigan representa o posicionamento de um grupo de países, chamado de 'constituency' no âmbito do FMI, que inclui Brasil, Cabo Verde, República Dominicana, Equador, Guiana, Haiti, Nicarágua, Panamá, Suriname, Timor-Leste e Trinidad e Tobago.