Remover ou absolver? Conheça os momentos decisivos dos impeachments norte-americanos
Histórico revela que, apesar de frequentes, os processos de impeachment raramente resultam em destituição de altos cargos nos EUA.
Democratas ameaçam impeachment do atual chefe do Pentágono, Pete Hegseth.
Ele enfrenta acusações que reacendem o debate sobre a tradição do impeachment nos Estados Unidos, prática recorrente tanto para presidentes quanto para ministros.
Historicamente, apenas três presidentes americanos foram alvo de impeachment: Andrew Johnson, Bill Clinton e Donald Trump — este último, em duas ocasiões. Nenhum deles foi efetivamente removido do cargo. Já Richard Nixon optou pela renúncia antes do término do processo.
O procedimento de impeachment tem início na Câmara dos Representantes, onde é necessária a maioria simples dos votos para aprovação. O julgamento, então, segue para o Senado, que exige dois terços dos votos para a destituição — patamar nunca atingido na história do país.
Além dos presidentes, ministros também já foram alvo de impeachment nos EUA, embora com impacto restrito. Apenas dois casos avançaram na Câmara:
Em 1876, o secretário de Guerra William Belknap foi acusado de corrupção em contratos militares. Ele renunciou minutos antes da votação, mas o Senado manteve o julgamento e acabou absolvendo-o por falta de maioria qualificada.
Mais recentemente, em 2024, o secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, foi acusado de falhas na aplicação das leis migratórias e de enganar o Congresso. O Senado rejeitou as acusações e arquivou o processo.
Ao longo do século XX, diversas tentativas de impeachment miraram membros do governo, como procuradores-gerais e secretários. A maioria desses processos, porém, foi arquivada em comissões ou perdeu força após renúncias dos acusados.
No caso atual de Pete Hegseth, analistas e a imprensa norte-americana avaliam que a proposta de impeachment "praticamente não tem chance de ser aprovada" pelo Congresso.
Por Sputnik Brasil