ANÁLISE POLÍTICA

Remover ou absolver? Conheça os momentos decisivos dos impeachments norte-americanos

Histórico revela que, apesar de frequentes, os processos de impeachment raramente resultam em destituição de altos cargos nos EUA.

Publicado em 16/04/2026 às 11:52
Processos de impeachment nos EUA raramente resultam na destituição de presidentes ou ministros. © AP Photo / Alex Brandon

Democratas ameaçam impeachment do atual chefe do Pentágono, Pete Hegseth.

Ele enfrenta acusações que reacendem o debate sobre a tradição do impeachment nos Estados Unidos, prática recorrente tanto para presidentes quanto para ministros.

Historicamente, apenas três presidentes americanos foram alvo de impeachment: Andrew Johnson, Bill Clinton e Donald Trump — este último, em duas ocasiões. Nenhum deles foi efetivamente removido do cargo. Já Richard Nixon optou pela renúncia antes do término do processo.

O procedimento de impeachment tem início na Câmara dos Representantes, onde é necessária a maioria simples dos votos para aprovação. O julgamento, então, segue para o Senado, que exige dois terços dos votos para a destituição — patamar nunca atingido na história do país.

Além dos presidentes, ministros também já foram alvo de impeachment nos EUA, embora com impacto restrito. Apenas dois casos avançaram na Câmara:

Em 1876, o secretário de Guerra William Belknap foi acusado de corrupção em contratos militares. Ele renunciou minutos antes da votação, mas o Senado manteve o julgamento e acabou absolvendo-o por falta de maioria qualificada.

Mais recentemente, em 2024, o secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, foi acusado de falhas na aplicação das leis migratórias e de enganar o Congresso. O Senado rejeitou as acusações e arquivou o processo.

Ao longo do século XX, diversas tentativas de impeachment miraram membros do governo, como procuradores-gerais e secretários. A maioria desses processos, porém, foi arquivada em comissões ou perdeu força após renúncias dos acusados.

No caso atual de Pete Hegseth, analistas e a imprensa norte-americana avaliam que a proposta de impeachment "praticamente não tem chance de ser aprovada" pelo Congresso.

Por Sputnik Brasil