Taxas de juros recuam com expectativa de novas negociações entre EUA e Irã
Sinalizações de diálogo entre Washington e Teerã aliviam juros futuros e impactam ativos de risco no Brasil
Os juros futuros negociados na B3 encerraram esta terça-feira, 14, em queda, especialmente nas taxas curtas e médias, que têm maior sensibilidade à inflação e à política monetária de curto prazo. O principal fator para o alívio foi a sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível nova rodada de negociações com o Irã nos próximos dois dias. No cenário doméstico, o crescimento dos serviços em fevereiro ficou abaixo do esperado, mas teve pouco impacto no mercado.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou de 14,086% para 13,99%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 13,511% para 13,21%. O DI para janeiro teve leve baixa, passando de 13,34% para 13,3%.
Após reacender o otimismo do mercado na segunda-feira ao afirmar que o Irã buscou contato para um possível acordo, Trump reforçou nesta terça, em entrevista ao The New York Post, que novas conversas com o governo iraniano podem acontecer nos próximos dias, novamente no Paquistão.
No final da noite anterior, contratos futuros de petróleo já recuavam cerca de 2% após o vice-presidente dos EUA, JD Vance, relatar avanços nas conversas com o Irã durante o fim de semana. Agora, cabe ao país persa avançar nas negociações. Nesta terça, o WTI para maio despencou mais de 7%, a US$ 91,28 o barril, enquanto o Brent para junho caiu 4,6%, cotado a US$ 94,79.
"A guerra ainda dita o humor do mercado quase integralmente", avalia Marcelo Fonseca, economista-chefe da gestora CVPAR. Após o colapso das conversas de alto nível entre EUA e Irã no fim de semana, sinais de negociações nos bastidores impulsionaram ativos de risco na segunda-feira.
Nesta terça, o possível congelamento do programa nuclear iraniano é discutido, uma das exigências de Washington para um acordo, segundo Fonseca. "Os EUA querem congelamento por 20 anos, o Irã propõe cinco. De todo modo, isso poderia resultar em cessar-fogo duradouro e se reflete nos ativos locais", comenta.
Para o economista, não surpreende que os DIs tenham apresentado forte descompressão, já que os juros futuros foram os mais afetados pelo choque global de oferta desde o início do conflito no Irã, no final de fevereiro. "Ainda que haja espaço para recuo, dificilmente os juros retornarão aos níveis anteriores à guerra", pondera.
Na abertura dos negócios, o IBGE divulgou a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), mostrando que o volume do setor subiu apenas 0,1% entre janeiro e fevereiro, ajustado sazonalmente. O consenso de mercado previa alta de 0,5%.
Segundo analistas, é difícil medir o impacto desse dado na curva de juros, já que o noticiário internacional e a evolução dos preços do petróleo seguem como principais influenciadores dos DIs. "É complicado afirmar se houve efeito dos serviços na curva, dado o ambiente global positivo, mas isso ajudaria a explicar a queda nos vencimentos curtos e a estabilidade nos longos", explica um gestor de renda fixa de uma grande asset.
Apesar do arrefecimento dos juros nesta terça, o mercado segue apostando em um corte cauteloso da Selic em abril. A curva de juros precificava, nesta tarde, pouco mais de 25 pontos-base de corte para este mês, enquanto no mercado de opções digitais do Copom, as chances de redução dessa magnitude eram de 75%, contra 16% de probabilidade de corte de 50 pontos-base.
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