Petróleo recua mais de 7% com avanço em negociações entre EUA e Irã
Cotações do WTI e Brent despencam após sinais de diálogo diplomático e bloqueios no Estreito de Ormuz
O preço do petróleo encerrou a terça-feira, 14, em forte queda, com o WTI recuando mais de 7% e o Brent cerca de 4%, influenciados pelo andamento das negociações entre Estados Unidos e Irã.
O governo norte-americano indicou que uma segunda rodada de tratativas de paz pode ocorrer ainda nesta semana.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em baixa de 7,87% (US$ 7,8), cotado a US$ 91,28 por barril.
Já o Brent para junho, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), caiu 4,6% (US$ 4,57), fechando a US$ 94,79 o barril.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista ao The New York Post que as negociações com o Irã "podem ocorrer nos próximos dois dias" no Paquistão, sem detalhar o local ou participantes.
Na segunda-feira, o vice-presidente norte-americano JD Vance declarou que a decisão está nas mãos de Teerã, após o fracasso das conversas em Islamabad no último fim de semana.
Essas declarações intensificaram a queda do petróleo, levando o WTI a se aproximar dos US$ 90, após ter fechado perto de US$ 100 na sessão anterior.
Segundo analistas do Charles Schwab, o simples fato de ambos os lados manterem o diálogo, mesmo rejeitando propostas, ajudou a elevar o otimismo dos mercados e pressionou os preços do petróleo para baixo.
Enquanto as novas negociações não se confirmam, os Estados Unidos mantêm o bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz e afirmam não ter registrado tráfego em portos iranianos nas primeiras 24 horas da operação, embora dados da Kpler contestem essa informação.
De acordo com o The Wall Street Journal, Teerã se antecipou e pode resistir ao bloqueio "por semanas ou até meses".
O impacto da guerra continua a afetar os preços de energia. A Comissão Europeia revelou que o conflito entre EUA-Israel e Irã já elevou em 22 bilhões de euros a conta de importação de combustíveis fósseis do bloco em apenas 44 dias, ressaltando a necessidade de medidas para reduzir a dependência energética.
Também no radar, a Agência Internacional de Energia (AIE) revisou para baixo sua previsão de demanda global de petróleo, citando efeitos negativos da guerra sobre o consumo.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o cenário mais adverso, com prolongamento do conflito, pode reduzir o PIB global para 2% em 2026 e elevar a inflação para 6%.