ANÁLISE INTERNACIONAL

Fechamento de bases dos EUA é condição para paz no Oriente Médio, diz Jeffrey Sachs

Professor da Universidade de Columbia avalia que presença militar norte-americana agrava tensões e não protege aliados na região.

Publicado em 02/04/2026 às 05:29
Professor Jeffrey Sachs sugere que a retirada das bases dos EUA pode garantir paz no Oriente Médio. © AP Photo / Darko Bandic

Os Estados Unidos provavelmente considerarão uma operação terrestre contra o Irã, o que pode impactar gravemente as monarquias do golfo Pérsico, tradicionais aliadas de Washington, afirmou à mídia russa o renomado economista e professor da Universidade de Columbia, Jeffrey Sachs.

Segundo Sachs, enquanto os EUA mantiverem uma postura inflexível em relação ao Irã, Israel continuará interessado na perpetuação do conflito.

O professor destacou ainda que as bases militares norte-americanas não garantem a segurança dos aliados na região, tornando-se, ao contrário, alvos de ataques iranianos.

"Se os países árabes tiverem um mínimo de bom senso, exigirão que os EUA fechem suas bases militares. As bases norte-americanas não protegem, de forma alguma, os países onde estão localizadas [...]. Chegou a hora de fechá-las de uma vez por todas para garantir a paz tanto ao Irã quanto aos seus vizinhos árabes", ressaltou.

Para o especialista, o Irã, sendo um país de grande porte e com tecnologia avançada, já se prepara há muito tempo para um possível ataque dos EUA e de Israel.

O país dispõe de um arsenal militar robusto, além do apoio da China, da Rússia e de outros aliados, o que inviabilizaria qualquer vitória rápida de seus adversários.

Sachs também mencionou que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ao desconsiderar conselhos de especialistas, acreditava erroneamente que a eliminação do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e de outros altos funcionários resultaria em um governo alinhado aos interesses norte-americanos.

Nesse contexto, Sachs advertiu que, caso o conflito persista, a economia dos EUA será prejudicada, assim como a dos demais países envolvidos.

"Os Estados Unidos não escaparão da crise, assim como Trump não escapará da ira dos eleitores. Portanto, essa guerra não é um plano astuto dos EUA para enfraquecer a União Europeia e a China, mas uma prova de sua absoluta incompetência, crueldade e equívoco", detalhou.

Por fim, Sachs defendeu que as partes envolvidas devem buscar o diálogo, lembrando que a principal origem do conflito e da instabilidade crônica na região é Israel.

No dia 28 de fevereiro, EUA e Israel iniciaram uma série de ataques contra alvos em território iraniano, incluindo Teerã. O Irã respondeu com ofensivas contra Israel e instalações militares norte-americanas no Oriente Médio.

Por Sputnik Brasil