ENERGIA E DESENVOLVIMENTO

Petrobras planeja autossuficiência do Brasil em diesel até 2031

Presidente da estatal afirma que novo plano de negócios pode antecipar meta para cinco anos, com expansão de refinarias e produção.

Publicado em 02/04/2026 às 02:15
Petrobras projeta autossuficiência em diesel com expansão de refinarias e novos investimentos © Foto / Agência Brasil

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (1º) que a empresa estuda alternativas para tornar o Brasil autossuficiente na produção de óleo diesel até 2031.

Segundo Chambriard, o atual plano de negócios da companhia prevê alcançar 80% da demanda nacional, por meio da expansão de cerca de 300 mil barris de diesel por dia em cinco anos.

"Estamos revendo esse plano e nos perguntando se podemos chegar a 100% em cinco anos", disse a executiva durante seminário sobre energia, em São Paulo. "A Petrobras adora desafios, quem sabe a gente chega com a possibilidade de ter um novo plano de negócios capaz de entregar a autossuficiência do Brasil em diesel", completou.

O novo plano de negócios da estatal deve ser elaborado em maio e concluído em novembro. Entre as estratégias para atingir a meta, Chambriard destacou a expansão da Refinaria Abreu e Lima, em Recife, projetada para entregar 230 mil barris de diesel por dia, podendo chegar a 300 mil barris diários caso seja ampliada.

A Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, também pode aumentar sua produção, em articulação com o Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), podendo atingir 350 mil barris diários, um acréscimo de 110 mil barris em relação à produção atual.

Chambriard mencionou ainda que quatro refinarias em São Paulo estão passando por adaptações para ampliar a produção de diesel.

"Diesel é o combustível mote do desenvolvimento nacional. A gente aumentando diesel, a gasolina vem junto, os dois principais produtos da Petrobras", ressaltou a presidente.

O recente conflito entre EUA, Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro, elevou o preço do óleo diesel S10, levando a Petrobras a reajustar o combustível em R$ 0,38 e a aumentar o preço do querosene de aviação (QAV) em 55%. O QAV representa cerca de 30% do custo das companhias aéreas.

Para mitigar os impactos, o governo federal zerou as alíquotas dos tributos federais sobre o combustível, como o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), além de conceder subvenções a produtores e importadores.

O governo também negocia com os estados uma participação no subsídio ao diesel importado. A proposta prevê que União e estados dividam igualmente o custo, subsidiando R$ 1,20 por litro do combustível, com cada ente arcando com R$ 0,60.

O objetivo é reduzir os efeitos do aumento dos preços em meio ao conflito no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde passa 20% da produção mundial, fez o preço do barril tipo Brent saltar de US$ 70 (R$ 370) para mais de US$ 101 (cerca de R$ 520).

Por Sputnik Brasil