EUA devem concluir investigação comercial, e Brasil prepara envio de delegação a Washington
Representantes do governo brasileiro devem ser convidados para discutir relatório preliminar da investigação conduzida pelo USTR. Encontro pode ocorrer nas próximas semanas.
Os Estados Unidos estão prestes a divulgar as conclusões da investigação comercial aberta contra o Brasil em meados de 2025, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês).
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, autoridades do governo federal brasileiro foram informadas de que o processo está em fase final. Neste momento, o USTR realiza consultas para encerrar as últimas etapas da investigação.
A expectativa é que membros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva sejam convidados a comparecer a Washington para receber as conclusões preliminares do relatório. A visita deve ocorrer nas próximas semanas.
Anunciada em 15 de julho de 2025, a investigação apura, de forma unilateral, supostas "tarifas preferenciais e injustas", ações anticorrupção, direitos de propriedade intelectual, barreiras ao acesso ao mercado de etanol, práticas de desmatamento ilegal e possíveis atitudes discriminatórias contra cidadãos ou empresas dos EUA no âmbito comercial.
"Sob o comando do presidente Donald Trump, eu abri a investigação sobre os ataques do Brasil às empresas de rede social americanas e outras práticas comerciais injustas", afirmou à época, em comunicado, Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos.
A medida abre espaço para eventuais punições comerciais, cuja reversão é considerada complexa.
Na mesma comunicação que determinou a abertura do processo formal contra o Brasil, com base na chamada seção 301, Trump também anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre mercadorias brasileiras e alegou perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Esse dispositivo, previsto em uma lei americana de 1974, concede ao governo dos EUA autoridade para impor retaliações — tanto tarifárias quanto não tarifárias — contra países cujas práticas sejam consideradas desleais e prejudiciais ao comércio norte-americano.
As tensões entre Brasil e EUA, contudo, começaram a diminuir desde setembro, quando os presidentes Lula e Trump se encontraram durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Posteriormente, ambos participaram de agendas internacionais conjuntas em 2025 e têm um encontro previsto em Washington ainda este ano, sem data confirmada.