INVESTIGAÇÃO POLICIAL

STF determina prisão de filho de ex-prefeito do Rio por acesso ilegal a dados de ministros

Marcelo Paes Fernandez Conde, acusado de liderar esquema de invasão de dados fiscais de autoridades, está foragido após decisão do ministro Alexandre de Moraes.

Por Sputinik Brasil Publicado em 01/04/2026 às 19:46
Ministro do STF decreta prisão de empresário acusado de comandar acesso ilegal a dados de autoridades. © Foto / Gustavo Moreno / STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (1º) a prisão preventiva do empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, acusado de adquirir ilegalmente dados fiscais de ministros da Corte. Marcelo está foragido.

Segundo investigações da Polícia Federal (PF), o empresário seria o principal articulador do grupo responsável pelo acesso indevido a informações de integrantes do STF, do procurador-geral da República Paulo Gonet e de seus familiares. A organização criminosa contava com servidores públicos, funcionários terceirizados, despachantes e intermediários.

Na decisão, Moraes afirmou que as buscas são essenciais para a "reconstrução das cadeias de eventos e identificação de outros possíveis envolvidos".

De acordo com a Operação Exfil, Conde forneceu listas de CPFs e realizou pagamentos em espécie, no valor de R$ 4,5 mil, para obter declarações fiscais de forma ilícita.

Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a Conde, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os dispositivos eletrônicos apreendidos passarão por extração forense para apurar detalhes das negociações e valores envolvidos na conduta criminosa.

O inquérito aponta que houve diversos acessos não autorizados aos sistemas da Receita Federal, do Fisco e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), resultando no vazamento de dados de ministros e outras autoridades.

Mais de 1,8 mil contribuintes tiveram informações acessadas de forma irregular, incluindo ministros do STF, do TCU, deputados federais, ex-senadores, ex-governadores, dirigentes de agências reguladoras e empresários, conforme a investigação.