MERCADO FINANCEIRO

Taxas de juros recuam levemente, com mercado atento ao possível fim da guerra

Expectativa de resolução do conflito no Oriente Médio mantém queda moderada nos juros futuros, apesar de incertezas sobre petróleo e política monetária.

Publicado em 01/04/2026 às 18:21
Reprodução / Agência Brasil

A expectativa de que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã possa se encerrar em breve continuou influenciando o comportamento dos juros futuros nesta quarta-feira, 1º. Mesmo sem novidades concretas sobre o fim das hostilidades, o mercado manteve movimento de queda moderada nas taxas, diante da ausência de novos fatores externos capazes de impulsionar o otimismo dos investidores.

Após o presidente Donald Trump afirmar, na noite de terça-feira, que os EUA podem fechar um acordo com o Irã em "duas ou três semanas", o preço do petróleo chegou a ser negociado abaixo de US$ 100 durante a sessão. No fechamento, o barril do Brent para junho recuou 2,7%, cotado a US$ 101,16. O mercado aguarda novo pronunciamento de Trump sobre o conflito, previsto para as 22h desta quarta-feira. Segundo a Bloomberg, Trump deve reforçar o cronograma de menos de um mês para o fim das operações militares dos EUA.

No encerramento do pregão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14,069% para 14,035%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 13,72% para 13,675%, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 13,837% para 13,815%.

Para Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, os ativos domésticos seguem influenciados pelo cenário externo. Ela ressalta que, embora a expectativa de término rápido da guerra tenha prevalecido nesta quarta-feira, houve uma acomodação em relação ao otimismo da véspera.

"As sinalizações de Trump vinham sendo recebidas com ceticismo, pois eram negadas pelo Irã. No entanto, nas últimas 24 horas, houve uma mudança com conversas informais entre os países e a entrada de outras nações no diálogo. Apesar da intensificação do conflito no curto prazo, a retomada das tratativas diplomáticas reacende a perspectiva de resolução em um horizonte não tão distante", avaliou Argenta.

Com a possibilidade de um desfecho próximo para o conflito, o fluxo de navegação no Estreito de Ormuz voltou ao centro das atenções, já que por ali passa cerca de 20% do petróleo mundial. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou nesta tarde que o futuro da rota será decidido por Irã e Omã, considerando que a via marítima está "nas águas internas dos dois países".

Enquanto isso, os Emirados Árabes Unidos solicitaram à ONU autorização para adoção de medidas que incluam o uso da força para desbloquear o estreito. Países do Golfo Pérsico também pressionam o Irã para restabelecer a livre circulação na região.

Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Goldman Sachs projeta que o fluxo de petróleo pelo estreito deve permanecer baixo por até seis semanas, devido à persistente incerteza quanto à duração do conflito e seus impactos sobre o fornecimento global de energia.

Mesmo que haja uma rápida normalização no Estreito de Ormuz e queda mais acentuada nos preços do petróleo, Carla Argenta avalia que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central terá diante de si dados "bastante desfavoráveis" para a definição da taxa de juros na reunião de abril. "O choque não é mais algo que possa ser rapidamente dissipado na economia. Ele deixa impactos que podem se refletir de forma mais intensa na política monetária", afirma.

De acordo com Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital, a taxa Selic projetada pela curva futura para o fim de 2026 ficou em 13,79% no final da tarde, praticamente estável em relação ao fechamento de terça-feira (13,81%). Antes do início do conflito, o mercado previa uma redução total de cerca de 3 pontos percentuais na taxa básica de juros ao longo do ano.