CNPE estipula regra que impede importação de biodiesel para mistura no diesel
Nova resolução determina que apenas biodiesel de produtores nacionais autorizados pela ANP pode ser usado na mistura obrigatória ao diesel B.
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta quarta-feira, 1º de abril, uma resolução que estabelece como interesse da Política Energética Nacional que todo o biodiesel utilizado na mistura obrigatória ao diesel B seja proveniente exclusivamente de unidades produtoras autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Na prática, a medida reforça o posicionamento do atual governo de impedir a importação de biodiesel para atender ao mandato obrigatório de mistura, uma vez que a ANP é responsável apenas pela autorização de produtores nacionais. No governo anterior, sob Jair Bolsonaro, havia permissão para a importação do produto.
Além disso, a resolução determina que, no mínimo, 80% do volume de biodiesel comercializado no Brasil para mistura ao diesel deve ser originado de produtores detentores do Selo Biocombustível Social, que reconhece a participação da agricultura familiar na cadeia produtiva do biodiesel. Esse percentual foi mantido na norma aprovada nesta reunião.
O texto da resolução já era aguardado pelo setor e, ao ser definido como de "interesse" da Política Energética Nacional, oferece maior segurança e previsibilidade para o mercado.
A chamada Lei do Combustível do Futuro prevê a elevação do percentual de biodiesel na mistura ao diesel A para 16% ainda neste ano, dependendo da aprovação do CNPE. Desde agosto do ano passado, a adição de biodiesel ao diesel subiu de 14% para 15% (B15) em todo o país.
O cronograma original previa o aumento em março de 2025, mas o prazo foi adiado devido a preocupações com a inflação de alimentos. Assim, cabe ao CNPE avaliar a viabilidade das metas e, se necessário, postergar a implementação da mistura obrigatória.
"O CNPE aprovou uma diretriz que dá clareza e estabilidade ao mercado de biodiesel, protege a produção nacional e fortalece a segurança energética do país", afirmou o ministro Alexandre Silveira em nota oficial.
A resolução aprovada irá nortear as diretrizes do setor dentro da Política Energética Nacional, em articulação com a ANP e outros órgãos responsáveis pela execução da política de biocombustíveis no Brasil.