Com projetos de inclusão e foco na redação do Enem, professoras conquistam Prêmio Educador FTD Educação
Iniciativas de educadoras de Boa Vista (RR) e de Rio Branco do Sul (PR) promovem transformação social e protagonismo estudantil em suas comunidades
A busca pela tão sonhada nota mil na redação do Enem e o desafio de tornar o ensino sobre o meio ambiente mais acessível para estudantes com deficiência visual motivaram duas professoras a desenvolver projetos pedagógicos inovadores. Thayna Faria, da escola Claudio Francisco Bini, em Rio Branco do Sul (PR); e Luciene Moreira da Silva, da Escola Estadual Professora Antônia Coelho de Lucena, em Boa Vista (RO), foram as grandes vencedoras da segunda edição do Prêmio Educador FTD Educação.
As educadoras, uma da rede privada e outra da rede pública, receberam o “Prêmio Destaque” nas categorias Avaliação de Desempenho Educacional e STEAM (Science, Technology, Engineering, Arts, Mathematics, abordagem interdisciplinar que integra Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática). Elas foram contempladas com uma bolsa de estudos de pós-graduação EAD oferecida pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e uma viagem pedagógica internacional.
A premiação, entregue na segunda quinzena de março durante a Jornada Pedagógica 2026, em São Paulo, reconhece e valoriza as boas práticas educacionais de professores e gestores da Educação Básica de escolas parceiras, públicas e privadas, da FTD Educação em todo o Brasil.
Nesta segunda edição foram inscritos mais de 700 projetos, que foram realizados entre 2024 e 2025 e que utilizam soluções educacionais da FTD Educação. Os 12 projetos finalistas foram premiados nas categorias STEAM, ESG, Avaliação Educacional, Ensino de Língua Inglesa, Iônica e Literatura, com prêmios em dinheiro e certificado.
O projeto vencedor “Roraima sensorial: uma abordagem STEAM para a educação ambiental inclusiva”, da professora Luciene Moreira da Silva, na Escola Estadual Professora Antônia Coelho de Lucena, em Boa Vista (RO), envolveu 51 alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, sendo 21 do público-alvo, ao longo de 2024 e 2025.
Inspirado no relato de uma aluna prestes a perder totalmente a visão, a educadora criou um projeto para desenvolver materiais pedagógicos inclusivos e práticas multissensoriais, com uso de aromas, texturas, textos em Braille (sistema de escrita e leitura tátil para as pessoas com deficiência visual), sons e imagens, para garantir equidade no acesso ao conhecimento e fortalecer o pertencimento cultural amazônico para todos os estudantes.
Em oficinas na Sala de Recursos Multifuncionais e na biblioteca, os estudantes criaram livros sensoriais em Braille com aromas naturais, mapas táteis, totens interativos com QR codes e áudios descritivos, além de protótipos de “plástico verde” produzido a partir da banana pacovã, articulando conceitos científicos e saberes regionais.
A professora explicou que seu objetivo era envolver toda a comunidade. Por isso, buscou ajuda de professores de outras matérias e contou com as pesquisas realizadas por alunos da turma regular. Já os pais fizeram parcerias para conseguir frutas regionais e, até mesmo, extrair óleo de pupunha e de buriti — um esforço coletivo que tornou o reconhecimento ainda mais significativo. “Nossa luta pela inclusão é constante. Queremos incluir todos os alunos, apesar de tantas dificuldades. Eu não esperava ganhar, fiquei muito impactada e nem consegui falar meu discurso no dia da premiação, mas me sinto totalmente validada enquanto professora, vista e realizada na minha profissão”, explica a vencedora.
Já o projeto “Expressar para transformar”, desenvolvido pela professora Thayna Faria, da escola Claudio Francisco Bini, localizada em Rio Branco do Sul, no interior paranaense, foi o vencedor na categoria Avaliação de Desempenho Educacional.
Desenvolvida em 2025 no contraturno escolar, a iniciativa ofereceu aulas dinâmicas e participativas, com debates, análise de redações nota mil do ENEM e produção autoral orientada, respeitando o ritmo e as particularidades de cada estudante.
A proposta adotou uma abordagem pedagógica ativa voltada à formação da consciência crítica e à transformação social. O objetivo era estimular os alunos a analisar a realidade e propor soluções, fortalecendo o protagonismo estudantil, a autonomia e a confiança dos participantes.
Segundo Thayna Faria, receber o prêmio reforça sua convicção de que a educação pode contribuir para a transformação da realidade social. “Esse reconhecimento no Prêmio Educador FTD representa a concretização de uma trajetória construída com muito esforço e propósito. Simboliza não apenas uma conquista profissional, mas também uma vitória pessoal, resultado de anos acreditando que a educação tem o poder de transformar vidas. É, acima de tudo, uma resposta a mim mesma de que é possível fazer a diferença quando se trabalha com compromisso e amor”, afirma.
“A segunda edição do Prêmio Educador FTD Educação é uma oportunidade de dar destaque ao protagonismo dos educadores e de suas iniciativas, alinhadas com as tendências educacionais. O projeto de Avaliação de Desempenho Educacional reforça a importância da multidisciplinaridade para um resultado efetivo dentro e fora de sala de aula. Já o de STEAM mostra como educação ambiental inclusiva é capaz de conectar currículo, território amazônico e inovação social. Reconhecer essas iniciativas é valorizar profissionais que vão além do conteúdo e promovem experiências de aprendizagem significativas”, afirma Cintia Lapa, diretora de Conteúdo e Performance Educacional da FTD Educação.