Combustível passa a representar 45% dos custos das companhias aéreas após reajustes
Alta no preço do querosene de aviação pressiona setor e pode limitar abertura de rotas, alerta Abear
O combustível passou a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas após os recentes aumentos no preço do querosene de aviação (QAV), de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). O reajuste de 54%, confirmado nesta quarta-feira, 1º de abril, pela Petrobras, soma-se ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março.
"A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do País e a democratização do transporte aéreo", afirma a associação, em nota oficial.
A Abear ressalta que, embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação segue a paridade internacional. Isso intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo no mercado doméstico, ampliando o impacto de choques externos sobre os custos das companhias aéreas.
"Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações", conclui a entidade.
Mais cedo, o presidente da associação, Juliano Noman, afirmou que as medidas do governo federal para tentar mitigar o impacto da alta do preço do petróleo no QAV precisam ser "urgentes" para evitar que o setor seja obrigado a adotar ações de replanejamento.
Entre as alternativas consideradas pelo setor estão linhas de crédito, alívio tarifário e ajustes tributários, que podem amenizar a alta dos preços e seus efeitos sobre o transporte aéreo.