DIPLOMACIA INTERNACIONAL

Visita de Lula a Trump pode ser adiada para julho devido a cenário político

A indefinição na agenda e tensões internacionais adiam o encontro entre os presidentes do Brasil e dos EUA.

Publicado em 01/04/2026 às 15:18
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Ricardo Stuckert/Secom-PR

A aguardada visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Donald Trump, nos Estados Unidos, pode ser adiada para uma janela até julho, em meio a um ambiente político considerado desfavorável. Inicialmente, as equipes dos dois governos planejaram agendar o encontro para o início de março, depois na segunda quinzena do mês, mas não houve confirmação de dados concretos.

Sem definição ou sinal recente da Casa Branca, um interlocutor do governo brasileiro nega que a viagem a Washington esteja descartada, mas admite que o prazo agora se estende até o fim do primeiro semestre. As duas presidências e seus corpos diplomáticos seguem em contato.

Segundo este interlocutor, o prolongamento da guerra envolvendo o Irã, as dificuldades enfrentadas pelos EUA diante da expansão do conflito no Oriente Médio e o aumento dos custos econômicos são os principais fatores que dificultam a realização da visita.

Como já havia noticiado no Estadão, o prolongamento da guerra com o Irã preocupa o Planalto e impacta o cronograma. Para o governo brasileiro, o momento político não é favorável e a Casa Branca deve aguardar avanços no Oriente Médio antes de propor novos dados.

O governo Lula comentou que outro compromisso internacional de Trump também foi adiado. A Casa Branca previu uma viagem do ex-presidente americano a Pequim, para encontro com Xi Jinping, entre 31 de março e 2 de abril, mas a agenda foi remarcada para 14 e 15 de maio, já confirmada pela China.

Desde janeiro, quando Lula e Trump conversaram por telefone e combinaram março como horizonte para a viagem, o presidente brasileiro fez críticas públicas ao americano, especialmente em relação à guerra no Oriente Médio.

Outros episódios recentes afetaram a relação bilateral, como a suspensão do tarifaço pela Suprema Corte americana e a abertura de novas investigações comerciais pelo governo Trump, incluindo práticas relacionadas ao Brasil.

Recentemente, Lula determinou a revogação do visto de um funcionário americano próximo à família Bolsonaro, que viria ao Brasil para um fórum de terras raras e pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.

Nos bastidores, discussões comerciais e econômicas também não avançaram, como a recusa do Brasil, em fevereiro, em aderir a uma frente americana para explorar minerais críticos e terras raras sem a China, além de debates sobre regulação de big techs e cooperação contra o crime organizado.

O governo brasileiro não descartou que o Departamento de Estado dos EUA pudesse, de forma unilateral, designar-se como terroristas como facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), na medida que contrariasse a posição do Planalto. Interlocutores do governo Trump indicaram que a decisão teria sido adiada.

Os agentes do mercado financeiro manifestaram ao governo brasileiro preocupação com as possíveis avaliações que podem melhorar as operações dos bancos nacionais, caso membros de facções tenham movimentado recursos ilícitos sem conhecimento das instituições.