SAÚDE

Secretaria Municipal de Saúde, INCA e AstraZeneca anunciam estudo inédito sobre rastreamento de câncer de pulmão no SUS

A iniciativa visa construir evidências científicas para estabelecer uma diretriz nacional para rastreio da doença

Por Assessoria Publicado em 01/04/2026 às 15:24
Diretor-geral do INCA Roberto Gil, o Subsecretário Municipal de Atenção Hospitalar, Urgência e Emergência do RJ Daniel da Mata, e o Diretor medico da AstraZeneca Danilo Lopes, na assinatura do projeto Roberta Sampaio

Rio de Janeiro, 1º abril de 2026 – O Instituto Nacional de Câncer (INCA), órgão auxiliar do Ministério da Saúde, anunciou em cerimônia realizada no Auditório do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, a condução de um estudo inédito que avaliará a viabilidade da implementação de um programa de rastreamento de câncer de pulmão no Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo, em colaboração com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, financiado pela biofarmacêutica AstraZeneca, visa construir uma diretriz nacional para detecção precoce da doença, com o objetivo de reduzir a mortalidade. 

O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no Brasil¹. De acordo com o Atlas de Mortalidade do INCA, em 2024 houve 32.465 óbitos decorrentes de câncer de brônquios e pulmão no Brasil. Esse número supera a soma das mortes por câncer de próstata (17.826) e de mama (20.849) no mesmo ano, os tipos de tumores mais incidentes na população brasileira¹.  

As estimativas do INCA apontam que o Brasil terá cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026–2028¹, consolidando a doença como um dos maiores desafios de saúde pública no País². A elevada taxa de mortalidade do câncer de pulmão está diretamente relacionada ao diagnóstico tardio: cerca de 84% dos casos são identificados em estágios avançados, o que se reflete em uma taxa de sobrevida em cinco anos de aproximadamente 5,2%¹. 

Evidências internacionais indicam que o rastreamento da doença com tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD), quando direcionado a populações de alto risco, pode reduzir significativamente a proporção de diagnósticos em estágios avançados — de cerca de 90% para 30% dos casos. No Brasil, a estratégia ainda não integra diretrizes nacionais de rastreamento, o que reforça a importância de iniciativas que produzam evidências científicas para orientar futuras recomendações em saúde pública.  

“A importância de discutir o rastreamento do câncer de pulmão não se deve apenas à sua relevância para o diagnóstico da doença, mas também aos desafios de implementação em um país com características epidemiológicas próprias, como o Brasil, que apresenta alta incidência de tuberculose e de doenças granulomatosas. Por isso, a parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde, o INCA e a AstraZeneca é fundamental para construir caminhos para a implementação efetiva de um modelo de rastreamento”, afirma Roberto Gil, oncologista clínico e diretor-geral do INCA. 

O estudo será conduzido pelo INCA, por um período de dois anos, com participação mínima de 397 pacientes, podendo ser expandido. Cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão estão associados ao consumo de derivados de tabaco¹. Considerando isso, a seleção dos pacientes será realizada por um processo colaborativo com a Secretaria Municipal do Rio de Janeiro, pelo seu Programa de Cessação de Tabagismo, o qual tem em torno de 50 mil participantes. Por meio do rastreamento de câncer de pulmão, utilizando TCBD, reduz-se a mortalidade do câncer de pulmão em 20%, e, quando combinado com a cessação do tabagismo, essa redução chega a 38%, segundo o Jornal Brasileiro de Pneumologia². 

"A Secretaria Municipal de Saúde colabora com esse estudo com a certeza de que trará informações epidemiológicas importantes para o cuidado da população e para o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, que é uma política pública séria para prevenir doenças associadas ao fumo, como o câncer de pulmão. O controle do tabagismo protege a saúde, reduz gastos do SUS e ajuda a formar uma sociedade consciente e comprometida com a qualidade de vida e o bem-estar coletivo", diz o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado.

O critério de elegibilidade de pacientes para participação no estudo será de acordo com o Consenso Médico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, o qual recomenda que o rastreamento do câncer de pulmão TCBD seja realizado em pessoas entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes (que tenham parado de fumar nos últimos 15 anos), e com carga tabágica de 20 anos/maço ou mais (ou seja, consumo de 20 cigarros por dia, todos os dias, ao longo de 20 anos)³. 

Em caso de diagnóstico positivo para câncer de pulmão, pacientes serão acompanhados e tratados pelo Hospital do Câncer I (HC I), uma das unidades do INCA, que é centro de referência para o tratamento do câncer no Rio de Janeiro e faz parte da rede de alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS), com protocolos definidos pela classificação Lung-RADS.  

Transformar o cenário do câncer de pulmão no Brasil também é a grande ambição da biofarmacêutica AstraZeneca. “Para além de liderar inovações científicas no desenvolvimento de medicamentos que podem prolongar a vida dos pacientes, com qualidade, também temos o compromisso de promover iniciativas em prol da sustentabilidade e resiliência do sistema público de saúde no Brasil. Temos a convicção de que investir em iniciativas de prevenção e detecção precoce são estratégias eficientes para melhorar a qualidade da saúde, reduzir custos e a taxa de mortalidade do câncer que mais mata no País”, evidencia Danilo Lopes, Diretor Médico da AstraZeneca. 

Sobre o INCA  

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) é um órgão auxiliar do Ministério da Saúde responsável por apoiar a formulação e a implementação de políticas públicas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil. Com sede no Rio de Janeiro, o Instituto atua em três frentes integradas: assistência hospitalar especializada em oncologia, formação de profissionais de saúde por meio de programas de residência e aperfeiçoamento, e pesquisa científica. Como centro de referência nacional, o INCA também produz e dissemina informações epidemiológicas, desenvolve estudos em parceria com instituições no Brasil e no exterior e contribui para o fortalecimento das estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Sobre a AstraZeneca 

A AstraZeneca é uma empresa biofarmacêutica global, orientada pela ciência, que está focada na descoberta, desenvolvimento e comercialização de medicamentos de prescrição médica em Oncologia, Doenças Raras e Biofarmacêuticos, incluindo Medicina Cardiovascular, Renal e Metabólica, Respiratória e Imunologia. Com sede em Cambridge, Reino Unido, a AstraZeneca opera em mais de 100 países e seus medicamentos inovadores são usados por milhões de pacientes em todo o mundo. 

Para mais informações, visite: www.astrazeneca.com.br e siga a empresa no Instagram @astrazenecabr.  

Referências: 

  1. GOV. Atlas da Mortalidade INCA. Disponível em: https://www.inca.gov.br/MortalidadeWeb/pages/Modelo03/consultar.xhtml.  Acesso em março de 2026. 
  1. KONING, H. J. de et al. Reduced lung-cancer mortality with volume ct screening in a randomized trial. The New England journal of medicine, 2020. Acesso em março de 2026. 
  1. Jornal Brasileiro de Pneumologia. Recomendações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem para o rastreamento do câncer de pulmão no Brasil. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/HnjpJqTxKc5Fbyh7KCYq7hN/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 21 de fevereiro de 2025.  
  1. PEREIRA, L. et al. Recomendações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem para o rastreamento do câncer de pulmão no Brasil. J Bras Pneumol. 2024;50(1):e20230233. Acesso em março de 2026. 
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