IMPORTAÇÕES

Ceará amplia parceria com a China e acrescenta 92 novos produtos asiáticos ao Estado

Por Assessoria Publicado em 01/04/2026 às 15:21
Ceará amplia parceria com a China e acrescenta 92 novos produtos asiáticos ao Estado

O perfil das importações cearenses da Ásia passou por recente diversificação no início de 2026. Segundo informações do Comex Stat - plataforma do Governo Federal com dados sobre exportações e importações brasileiras - apenas em janeiro e fevereiro deste ano, 92 novos produtos chineses, que não haviam sido importados em igual período de 2025, passaram a desembarcar no Estado.

Esse movimento é impulsionado pela consolidação do Ceará como porta de entrada estratégica para o mercado asiático no Brasil. Entre as 92 mercadorias que estrearam na pauta de importações em 2026, destacam-se itens de alto valor agregado e peso industrial.

O topo da lista é ocupado por automóveis de passageiros, que sozinhos somaram mais de US$ 7,1 milhões em valor importado. Outros destaques incluem coques e semi coques de hulha (US$ 5,9 milhões), ácidos nucleicos, aparelhos de raios-X e maquinário pesado como bulldozers e escavadoras.

A lista de novidades é vasta e abrange desde insumos químicos e hospitalares até bens de consumo. Veja lista:

Equipamentos médicos - Aparelhos de mecanoterapia, massagem e artigos ortopédicos.

Indústria e construção - Tornos para metais, guindastes, perfis de ferro ou aço e material para vias férreas.

Bens de consumo e vestuário - Aparelhos de barbear, vestuário feminino de malha, calçados para bebês e até produtos hortícolas e frutas congeladas.

A análise comparativa entre o primeiro bimestre de 2025 e o mesmo período de 2026 revela crescimentos exponenciais em categorias específicas de produtos.

O maior salto percentual foi registrado nos compostos de função carboxiamida (fungicida amplamente utilizados na agricultura para o controle de doenças foliares e de solo em diversas culturas, como soja, milho e trigo), que apresentaram uma variação positiva de 1.704,7%, saltando de US$ 90,6 mil para US$ 1,6 milhão.

Logo em seguida, os teares para fabricação de malhas e máquinas de costura industrial registraram um aumento de 1.604,1% (saindo de US$ 209.890 em 2025 para US$ 3.576.669 em 2026), enquanto as chapas e tiras de alumínio cresceram 1.577,8% no período, saltando de US$ 156.299 no passado para US$ 2.622.382, neste ano.

Nova rota da China como motor da mudança

Um dos fatores que podem ter motivado este aumento de importações é que há um ano o Porto do Pecém tornou-se a primeira parada das embarcações vindas da Ásia que utilizam a rota via Canal do Panamá.

Operada oficialmente desde abril de 2025, mas em fase de testes meses antes, essa conexão direta reduziu o tempo de viagem para cerca de 40 dias.

Além disso, a rota eliminou a necessidade dos navios contornarem a África pelo Cabo da Boa Esperança e subirem de Santos (SP) para o Nordeste. Essa mudança logística gerou um impacto imediato nos números do terminal.

Apenas esse novo percurso movimentou quase 104 mil TEUs (medida-padrão internacional de volume no transporte marítimo, baseada em um contêiner de 20 pés) em seu primeiro ano de operação. Esse volume representa cerca de 15% do total de novas cargas que passaram pelo terminal em 2025.

Além disso, foi o principal motor para o crescimento de 27% na movimentação anual do Porto do Pecém. Ao todo, o terminal saltou de 555.409 TEUs em 2024 para o recorde histórico de 706.509 TEUs no último ano.

Impacto no e-commerce e frete

A nova dinâmica portuária favorece diretamente o e-commerce ao reduzir o tempo de trânsito da mercadoria.

Embora as fontes consultadas confirmem a redução de custos e prazos para o consumidor final devido à maior velocidade de chegada dos produtos, não há uma estimativa percentual exata da queda do valor do frete.

O especialista em comércio exterior e CEO da JM Negócios Internacionais, Augusto Fernandes, afirma que a redução em até 30 dias no tempo de recebimento da carga impacta diretamente na economia em frete. Porém, ele afirma que as guerras no mundo têm feito o valor do frete marítimo quadruplicar.

Além disso, ele comenta que apenas o seu escritório aumentou em 53% as importações em 2025, com relação a 2024, ligado a esta nova rota e que, neste ano, ele busca um resultado igualmente expressivo.

Sobre os produtos mais transportados, ele lista uma gama de produtos de varejo, eletrodomésticos, utilidades, maquinários, matéria-primas para a indústria e tecidos.