Abril Marrom: Acesso a terapias mais modernas evita a cegueira por DMRI
O Dr. Vasco Bravo Filho fala sobre a evolução no tratamento e alerta para os sintomas da doença ocular
Estamos no Abril Marrom, mês dedicado à prevenção, combate e reabilitação das causas de cegueira e baixa visão. Uma doença que tem sua conscientização reforçada na campanha é a Degeneração Macular Relacionada à Idade, condição ocular bastante comum a partir dos 50 e 60 anos. A DMRI afeta a mácula, parte central da retina – camada fina localizada no fundo do olho que converte a luz recebida em sinais elétricos e os envia ao cérebro, pelo nervo óptico, para que as imagens sejam formadas e a pessoa possa enxergar nitidamente.
A doença é considerada a terceira maior causa de cegueira no Brasil e estimativa é que, em todo o país, cerca de três milhões de idosos tenham DMRI na forma seca, que progride lentamente e é mais comum, e na forma úmida, mais agressiva e que pode levar a uma diminuição rápida da visão, se não for logo tratada. No entanto, pesquisas do IBOPE e da Associação Nacional Retina Brasil indicam que muitos pacientes desconhecem que estão com a patologia ocular, o que retarda o tratamento.
O Dr. Vasco Bravo Filho, oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco, o HOPE, explica que “o principal fator de risco é o avanço da idade, mas a genética, a história familiar e o uso de tabaco também podem contribuir para o surgimento da doença ocular. Além disso, muitos casos de DMRI são em pessoas de pele e olhos claros, mas isso não quer dizer que pessoas de outras descendências não possam ter, também acontece”.
O tratamento da DMRI na forma úmida é feito com medicamentos antiangiogênicos de alto custo, administrados por meio de injeções intraoculares que agem diretamente na retina, bloqueando o crescimento anormal de vasos sanguíneos e reduzindo o vazamento de fluido (edema). De acordo com o médico, “essas terapias são consideradas padrão ouro por sua eficácia e segurança no tratamento da DMRI de maior gravidade e tem evitado a cegueira em diversos pacientes. Para retardar a progressão da doença, também é recomendado o uso de um suplemento vitamínico mineral específico que auxilia na proteção da visão”.
A DMRI causa perda da visão central, dificultando atividades do dia a dia como ler, dirigir e reconhecer pessoas, mas a visão periférica (lateral) geralmente é mantida. A forma úmida é responsável pela maioria dos casos de perda severa e irreversível de visão. Ela ocorre quando vasos sanguíneos anormais crescem sob a mácula – parte da retina com alta concentração de células fotorreceptoras chamadas cones, que são as responsáveis pela percepção nítida de detalhes e cores.
O Dr. Vasco Bravo Filho chama a atenção para os principais sintomas da doença ocular:
Distorção visual: Linhas que deveriam ser retas (como o batente de uma porta ou azulejos) parecem onduladas ou tortas;
Mancha central: Perceber uma área escura no centro da visão ao tentar ler ou focar em um rosto;
Dificuldade com cores: As cores parecem menos vibrantes ou acinzentadas;
Necessidade de mais luz: Sentir que o ambiente está sempre escuro, mesmo com lâmpadas acesas.
O especialista do HOPE alerta que “a DMRI em sua forma úmida não causa dor, o que a torna perigosa. É fundamental que todas as pessoas a partir dos 50 anos façam o acompanhamento oftalmológico regular, pois começar a tratar na fase inicial contribui para que as sequelas sejam menores. O cuidado deve ser reforçado se houver casos na família. Quando a doença é diagnosticada, é fundamental realizar os exames de rotina, evitar o tabaco e controlar rigorosamente a pressão muito alta, o diabetes e o colesterol, pois essas condições agravam a evolução da patologia ocular”.
Outros cuidados para prevenir a DMRI são utilizar óculos escuros durante a exposição aos raios solares, manter uma dieta rica em folhas verdes e peixes, praticar atividades físicas, evitar o uso intenso de telas e realizar anualmente exames de fundo do olho para garantir a detecção precoce. Além disso, é muito importante nunca achar que a perda de visão é apenas uma consequência do envelhecimento e sempre buscar atendimento oftalmológico ao perceber qualquer alteração.