INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA

Nova regra do chocolate eleva padrão de qualidade e deve pressionar custos da indústria

Por Assessoria Publicado em 01/04/2026 às 14:22
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A aprovação, pela Câmara dos Deputados do Brasil, da nova regulamentação que redefine os percentuais mínimos de cacau em chocolates e derivados deve provocar uma reconfiguração relevante na indústria de alimentos, com impactos diretos sobre custos, portfólio e posicionamento de marcas.

A nova regra estabelece critérios mais rigorosos para a classificação de chocolate, incluindo a exigência de maior teor de cacau e restrições ao uso de gorduras vegetais. O objetivo é aumentar a qualidade dos produtos e reduzir práticas consideradas enganosas ao consumidor, especialmente em itens que hoje utilizam substitutos do cacau.

Segundo Paula Sauer, a medida cria uma separação mais clara entre chocolate e produtos “sabor chocolate”, ao exigir percentuais mínimos mais elevados para diferentes categorias e maior transparência na rotulagem. “A legislação força a indústria a reposicionar produtos e a comunicar de forma mais clara o teor de cacau, o que tende a elevar o nível de informação do consumidor”, diz.

Entre as principais mudanças estão a exigência de percentuais mínimos mais altos para chocolates amargos, novas regras para chocolate ao leite e branco, além da obrigatoriedade de destacar a quantidade de cacau na parte frontal da embalagem. Produtos que não atingirem os requisitos não poderão mais ser comercializados como chocolate e passarão a ser classificados como “sabor chocolate”, com restrições de marketing.

Do ponto de vista econômico, a nova regulação pode pressionar custos de produção, especialmente em um cenário de alta internacional do cacau. A necessidade de reformulação de produtos e adequação de embalagens, com prazo de até 360 dias, tende a impactar margens e estratégias comerciais, sobretudo entre fabricantes que operam com produtos de menor teor de cacau. “Há um efeito direto sobre a estrutura de custos da indústria, já que o cacau é uma commodity com forte volatilidade de preço. Isso pode levar a ajustes de portfólio, reposicionamento de marcas e, eventualmente, repasse ao consumidor”, afirma.

Ao mesmo tempo, a medida pode favorecer marcas premium e linhas com maior concentração de cacau, que já atendem ou superam os novos parâmetros, reforçando tendências de diferenciação por qualidade e transparência.

A mudança também sinaliza um movimento de maior rigor regulatório no setor de alimentos, com potencial de influenciar padrões de consumo e elevar o nível de exigência dos consumidores em relação à composição dos produtos.

Fonte: Paula Sauer, professora da FIA Business School

Sobre a FIA Business School - Criada em 1980, a FIA Business School é referência entre as escolas globais de negócios do Brasil e da América Latina. Atua em educação executiva, pesquisa e consultoria com soluções customizadas para organizações do setor privado e público - uma referência no Brasil e no mundo. Porque ensina você a transformar conhecimento em resultados que mudam o jogo - no mundo dos negócios e na sociedade. Sua fundação se deu por professores da Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade (FEA-USP) com a missão de desenvolver e disseminar o conhecimento e as melhores práticas em Administração. Os MBAs da FIA são credenciados pela AMBA (Association of MBAs), sediada em Londres e, desde 2004, frequenta as publicações internacionais de melhores MBAs, e EuropeanCEO. A graduação em Administração de Empresas foi avaliada pelo ENADE como a melhor em Administração em Negócios na cidade de São Paulo, e alcançou por três vezes consecutivas 5 estrelas na avaliação do Guia do Estudante.     

 

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