TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Irã afirma que futuro do Estreito de Ormuz será decidido em conjunto com Omã

Ministro iraniano descarta negociações com os EUA e reforça que decisões sobre o Estreito cabem apenas a Irã e Omã após a guerra.

Publicado em 01/04/2026 às 13:37
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o futuro do Estreito de Ormuz será determinado em parceria com Omã. Segundo ele, a via marítima está situada "nas águas internas" dos dois países e qualquer arranjo após o conflito "é uma questão relacionada ao Irã e a Omã". As declarações ocorrem após ameaças recentes dos Estados Unidos de assumir o controle do Estreito, com o ex-presidente Donald Trump chegando a chamá-lo de "Estreito Trump".

Em entrevista à Al Jazeera, Araghchi afirmou que o Estreito permanece aberto, porém com restrições para países em conflito com o Irã. "Durante a guerra, não podemos permitir a passagem daqueles que estão em guerra conosco", disse o chanceler, ressaltando que embarcações de países considerados "amigos" têm garantido trânsito seguro mediante acordos específicos.

O ministro negou a existência de negociações em andamento com os Estados Unidos, esclarecendo que há apenas troca de mensagens, inclusive por meio de intermediários. "Neste momento, não há negociação entre nós", afirmou. Ele também classificou como especulações as notícias sobre um suposto plano americano de 15 pontos, dizendo que tais propostas não foram formalmente respondidas.

Araghchi reforçou que Teerã não aceita cessar-fogo e condiciona qualquer diálogo ao fim completo do conflito na região, com garantias contra novos ataques e compensações. "Não há base para negociação", destacou, criticando ainda os prazos impostos por Washington: "Não aceitamos deadlines".

O ministro acrescentou que o Irã está preparado para prolongar o confronto pelo tempo que for necessário e continuará a atingir alvos americanos na região, negando ataques deliberados a países vizinhos.

Paralelamente, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que qualquer solução para a navegação no Estreito de Ormuz deve ser baseada em consenso entre os países litorâneos. Segundo ela, transferir o controle a terceiros ou criar mecanismos supranacionais sem o consentimento de todos os Estados do Golfo "não contribuirá para a desescalada".