POLÍTICA & EDUCAÇÃO

Lula afirma que mercado financeiro se irrita com investimentos em educação para pobres

Presidente critica elite econômica e defende programas sociais como o Pé-de-Meia durante evento em Fortaleza

Publicado em 01/04/2026 às 13:03
Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira, 1º, que o investimento do governo federal em educação e programas sociais, como o Pé-de-Meia, contrariaria os interesses do mercado financeiro. Durante evento em Fortaleza (CE), Lula voltou a ser crítico da elite econômica do País.

"A Faria Lima, lá em São Paulo, na 'Avenida dos Banqueiros', deve ficar irritada comigo. 'O que esse Lula fica investindo R$ 18 bilhões para cuidar de filho de pobre na escola, se esse dinheiro poderia estar aqui no banco rendendo pra gente ficar mais rico?'", disse o presidente.

No evento, Lula destacou que o governo já destinou cerca de R$ 18,6 bilhões ao programa Pé-de-Meia, voltado para permanência de estudantes no Ensino Médio. Ele defendeu que o gasto deve ser visto como investimento estratégico. “Quando se trata de educação, não se fala em gasto, se fala em investimento, porque a educação é o melhor investimento que o país pode fazer para melhorar a possibilidade do seu povo”, afirmou.

Ao defender a ampliação do acesso à educação, Lula ressaltou que as políticas públicas na área buscam reduzir desigualdades históricas e garantir igualdade de oportunidades. Segundo ele, a intenção é permitir que estudantes de diferentes origens discutam em condições semelhantes.

“Estamos apenas abrindo uma porta para que o filho do trabalhador e a filha da empregada doméstica tenham a mesma chance de disputar uma vaga com qualquer outra pessoa neste país”, declarou.

A cerimônia foi marcada por provocações de opositores durante os discursos e por uma ocorrência direta do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que rebateu as manifestações com críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O ministro da Educação e o ex-governador Camilo Santana (PT), cotado como cabo eleitoral de Elmano no Estado e atualmente atrás do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) nas pesquisas, também discursaram. Camilo chegou a se emocionar e chorar ao lado de Lula durante a cerimônia.

Lula elogiou o ministro Camilo Santana, afirmando que, se tivesse tido de remunerá-lo pelo trabalho à frente da pasta, "não teria dinheiro para pagar". O presidente ainda incentivou a participação popular na vida pública e pediu que os apoiadores não abandonassem o debate político, defendendo que são justamente "as pessoas honestas" que precisam permanecer engajadas.

Durante seu discurso, Elmano de Freitas tentou conter as interrupções de opositores presentes, classificando os episódios como "provocações" de bolsonaristas. Em tom crítico, afirmou que adversários políticos “não fizeram nada no Ceará”, citando a ausência de investimentos em escolas técnicas e universidades, além de políticas salariais críticas. "Tchau, tchau. Já vai tarde, (Jair) Bolsonaro", disse, arrancando aplausos da plateia petista.