MERCADO FINANCEIRO

Queda expressiva da Petrobras pressiona Ibovespa, mesmo com bolsas de NY em alta

Desvalorização das ações da estatal, puxada pela queda do petróleo, impede avanço do índice brasileiro apesar do otimismo externo.

Publicado em 01/04/2026 às 11:53
Queda expressiva da Petrobras pressiona Ibovespa, mesmo com bolsas de NY em alta Reprodução

A expectativa de que a guerra no Oriente Médio termine nas próximas semanas, conforme sinalizou o presidente dos Estados Unidos, influencia o desempenho do Ibovespa nesta quarta-feira, primeiro pregão de abril e do segundo trimestre, em uma agenda de indicadores mais esvaziada no Brasil.

Após registrar alta de 0,87% na máxima do dia, alcançando 189.101,60 pontos, o índice principal da B3 passou a operar em queda. O movimento foi impulsionado pela intensificação das perdas das ações da Petrobras , refletindo o recuo de cerca de 2,5% do petróleo no exterior, mesmo diante da valorização dos principais índices das bolsas de Nova York.

“O retorno dos papéis da Petrobras limita o avanço do Ibovespa. As ações pesam, dada a participação que têm na carteira teórica”, explica Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Warren Rena DTVM.

O comportamento do índice também é influenciado pelo desempenho positivo da Vale (0,58%) e dos principais bancos. Itaú registrou alta de 0,39%; Banco do Brasil subia 2,35%; e Bradesco, quase 1,5% (PN). Enquanto as ações da Petrobras (PN e ON) representam quase 14% do Ibovespa, a Vale responde por 11,19% e o Itaú, 8%.

Com as perspectivas de fim dos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã, os índices das bolsas europeias e os futuros norte-americanos avançam, enquanto os rendimentos dos Tesouros recuperam, influenciando também a curva de juros brasileira e o dólar ante o real.

No exterior, destaque para o relatório ADP de emprego no setor privado dos EUA, que apontou criação de 62 mil vagas em março, superando a previsão de 39 mil. No Brasil, o Estadão/Broadcast divulga levantamento do Atlas para a Presidência, com eleitores de São Paulo.

Na terça-feira, a Casa Branca informou que o presidente dos EUA, Donald Trump, fará um pronunciamento na noite desta quarta-feira, às 22h (horário de Brasília), sobre a guerra contra o Irã. Nesta quarta, Trump afirmou que o conflito deve terminar “muito em breve”.

Segundo Trump, o Irã solicitou um acordo de cessar-fogo, mas condicionou qualquer decisão à reabertura do Estreito de Ormuz, em meio à escalada do conflito. O governo iraniano ainda não confirmou nem negou a informação.

Diante da pressão sobre os preços, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, declarou que o governo está "monitorando com atenção" setores como gás liquefeito de petróleo (GLP) e querosene de aviação (QAV) para possíveis medidas que visem conter os impactos do conflito. A declaração foi dada em entrevista ao SBT News.

Na véspera, a Refinaria de Mataripe elevou o preço do GLP em 15,3% e a Petrobras reajustou o QAV em 54,6% a partir de hoje, aumentando as preocupações com os efeitos na inflação brasileira.

Ontem, o Ibovespa fechou com alta de 2,71%, aos 187.461,84 pontos, acumulando queda de 0,70% em março e valorização de 16,35% no primeiro trimestre.

Às 11h27 desta quarta-feira, o Ibovespa recuava 0,10%, na mínima do dia, aos 187.273,75 pontos.