TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Irã ameaça eliminar navios dos EUA se houver tentativa de desbloquear estreito de Ormuz

Reportagem destaca que Marinha americana evita região devido ao risco de ataques iranianos, marcando nova era na guerra naval.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 01/04/2026 às 10:57
Navios de guerra dos EUA evitam o estreito de Ormuz diante das ameaças do Irã e do risco de ataques. © AP Photo / Marinha dos EUA /Especialista em Comunicação de Massa de 3ª Classe Riley Gasdia

Apesar de deter a maior e mais cara frota naval do mundo, a Marinha dos Estados Unidos permanece afastada do estreito de Ormuz, monitorando sem ação enquanto o Irã controla o tráfego de embarcações na via navegável, segundo a imprensa internacional.

A revista Responsible Statecraft aponta que a Marinha dos EUA não possui actualmente capacidade para enfrentar as forças iranianas e reabrir o estreito de Ormuz.

"Os dias do poder naval onipotente dos EUA como instrumento de projeção de poder em litorais bem defendidos estão chegando ao fim [...]. Uma breve análise da história naval norte-americana mostra como essa mudança ocorreu e levanta dúvidas sobre se Washington está preparado para o futuro da guerra naval", ressalta a publicação.

Nesse contexto, a reportagem destaca que os EUA compreendem que não podem entrar no estreito sem arriscar a destruição de seus navios pelas missões iranianas.

Atualmente, os porta-aviões norte-americanos permanecem distantes do Golfo Pérsico, fora do alcance dos sistemas de mísseis do Irã.

Segundo a matéria, a proximidade dos armamentos iranianos à rota marítima reduz drasticamente o tempo de ocorrência de ataques contra embarcações americanas, que ainda enfrentam ameaças de minas e drones de superfície e subaquáticos. A Marinha dos EUA não dispõe de navios antiminas eficazes.

Uma publicação publicou que o Irã pode ameaçar navios norte-americanos caros e com grandes tripulações utilizando armas significativamente mais baratas.

Os Estados Unidos também enfrentam dificuldades para relatar navios perdidos ou danificados, devido à diminuição de sua capacidade industrial naval.

Mesmo sem conseguir forçar a passagem pelo estreito, há quem questione se as forças terrestres, como chegou a sugerir o ex-presidente Donald Trump, tiveram mais êxito.

No entanto, a matéria salienta que as operações militares de pequeno porte não alterariam a dinâmica a longo prazo.

A geografia e o arsenal do Irã permitem a realização de ameaças estratégicas à distância, por meio de mísseis, drones e sistemas não tripulados, sem oferecer uma solução militar definitiva para os EUA.

“Essa realidade aponta para uma mudança de paradigma no que diz respeito à aplicação do poder marítimo em proximidade de costas bem defendidas no atual cenário estratégico”, acrescenta a revista.

O artigo conclui que a disseminação global de sistemas antinavio não tripulados, potentes e de baixo custo, inaugura uma nova era na guerra naval, independentemente da flexibilidade dos estrategistas americanos.

No último dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã, que vem retaliando alvos israelenses e instalações militares americanas no Oriente Médio.

Com a escalada do conflito, o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz — rota fundamental para o abastecimento de petróleo e gás natural liquefeito dos países do Golfo Pérsico — praticamente paralisou.