ELEIÇÕES

Mídia: fim de mandatos expõe rachas e reorganiza sucessões nos estados para 2026

Publicado em 01/04/2026 às 10:22
© Paulo Pinto/Agência Brasil

Oito governadores em fim de mandato decidiram permanecer no cargo para conduzir suas sucessões, enquanto dez renunciam até sábado (4) e nove disputarão a reeleição, em meio a rupturas com vices, projetos nacionais frustrados e disputas internas que redesenham o cenário estadual para 2026.

Governadores em fim de segundo mandato vivem cenários distintos em 2026: ao menos oito decidiram permanecer no cargo até o fim para conduzir a própria sucessão, enquanto dez renunciam até sábado, prazo de descompatibilização. Outros nove seguem no posto para disputar a reeleição.

Segundo a Folha de S.Paulo, o número de gestores que não participará do pleito é o maior desde 2018.

Entre os que ficam até o fim estão Ratinho Junior (PSD), no Paraná, e Eduardo Leite (PSD), no Rio Grande do Sul, ambos antes cotados para a Presidência. Ratinho desistiu por decisão própria; Leite foi preterido pelo partido e optou por apoiar seu vice, Gabriel Souza (MDB), em vez de concorrer ao Senado. Em vários estados, a permanência no cargo está ligada a rupturas com vices e disputas internas.

Cinco governadores romperam com seus vices e decidiram não renunciar para evitar entregar o comando a adversários. Em Alagoas, Paulo Dantas (MDB) permanece, mas com consenso político, apoiando o retorno de Renan Filho (MDB). No Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) desistiu de concorrer ao Senado após romper com Walter Alves (MDB), evitando uma eleição indireta incerta e buscando fortalecer o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No Maranhão, Carlos Brandão (sem partido) e seu vice Felipe Camarão (PT) vivem um conflito político e judicial, ambos sob risco de afastamento. A tendência é que disputem em palanques opostos: Brandão apoia Orleans Brandão (MDB), enquanto Camarão pode concorrer ou apoiar Eduardo Braide (PSD). Também permanecem no cargo Wilson Lima (União Brasil), no Amazonas, Marcos Rocha (PSD), em Rondônia, e Wanderlei Barbosa (Republicanos), no Tocantins, todos em fim de mandato e em conflito com seus vices.

Entre os que renunciaram, Romeu Zema (Novo), em Minas Gerais, abriu caminho para seu vice Mateus Simões (PSD), enquanto tenta se viabilizar nacionalmente. Ronaldo Caiado (PSD) deixou o governo de Goiás para disputar a Presidência pelo partido e passou o comando a Daniel Vilela (MDB). Outros oito governadores deixam o cargo para concorrer ao Senado, incluindo Helder Barbalho (MDB), no Pará, João Azevêdo (PSB), na Paraíba, Mauro Mendes (União Brasil), em Mato Grosso, e Gladson Cameli (PP), no Acre.

Cláudio Castro (PL) também renunciou ao governo do Rio de Janeiro para disputar o Senado, mas enfrenta incertezas jurídicas após condenação por abuso de poder pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já nove governadores buscarão a reeleição, entre eles Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, que apoiará Flávio Bolsonaro (PL) e deve repetir a disputa contra Fernando Haddad (PT).

No campo petista, três governadores tentam renovar o mandato. Rafael Fonteles (PT), no Piauí, tem o cenário mais favorável, enquanto Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia, enfrentará novamente ACM Neto (União Brasil). No Ceará, Elmano de Freitas (PT) vive o quadro mais delicado: Ciro Gomes (PSDB) lidera as pesquisas, e Camilo Santana (PT), recém-saído do Ministério da Educação, pode substituí-lo como candidato até as convenções.


Por Sputinik Brasil