PARTICIPAÇÃO

Curso de Física da Ufal ganha destaque nacional com docentes na direção da SBF

Participação inclui vice-presidência da entidade, atuação em comissões científicas e reforça excelência do curso na graduação e na pós-graduação

Publicado em 01/04/2026 às 10:10
Da esquerda pra direita: professor Marcelo Lyra, Professora Socorro Seixas, professora Fernanda Selingardi e professor Francisco Anacleto Fidelis

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) ampliou sua presença nos espaços de decisão da ciência brasileira ao passar a integrar a estrutura de direção e comissões da Sociedade Brasileira de Física (SBF), uma das principais entidades responsáveis pela articulação da pesquisa e do ensino de Física no país. A participação projeta a universidade em âmbito nacional, nos espaços de formulação e direcionamento da ciência no Brasil.

Dentre os papéis ocupados pelos docentes da Ufal na Sociedade Brasileira de Física, está a vice-presidência, exercida pelo professor Marcelo Lyra, do Instituto de Física (IF/Ufal). Ele integra a diretoria ao lado do alagoano Sylvio Canuto, da Universidade de São Paulo (USP), atual presidente da entidade.

Segundo Lyra, o convite para compor a gestão partiu de Canuto, dentro de um movimento que buscou ampliar a representatividade regional na direção da SBF. “Ele me convidou e salientou a importância de ter um pesquisador reconhecido nacionalmente, mas que fosse da região Nordeste, para dar uma maior distribuição geográfica à diretoria. Ele me conhece há cerca de 40 anos, e esse convite também reflete uma trajetória construída na pesquisa. É um reconhecimento importante, não só individual, mas da instituição e da região onde atuo”, destacou.

A preocupação reflete o aumento da presença nordestina em cargos estratégicos da Física nacional e simboliza uma transformação histórica no cenário científico brasileiro, antes concentrado em poucos polos. “Na década de 1970, a física de qualidade no Nordeste estava praticamente concentrada em Recife. Hoje, a realidade é completamente diferente. Temos grupos consolidados em quase todas as instituições da região, produzindo ciência de alto nível”, afirmou.

Nesse contexto, a Ufal ocupa posição de destaque. O professor ressalta que o crescimento da instituição acompanha o fortalecimento da Física no Nordeste. “Aqui na universidade, temos um programa de pós-graduação reconhecido nacionalmente como sendo de excelência internacional. Recentemente, alcançamos o conceito 6 na Capes, que é atribuído a programas bem consolidados, com inserção internacional”, pontuou.

Atuação voltada para o fortalecimento da pesquisa

Na vice-presidência da Sociedade Brasileira de Física, Marcelo Lyra assume funções diretamente ligadas ao fortalecimento da comunidade científica e à valorização da produção acadêmica no país. Entre suas atribuições está a coordenação de premiações nacionais promovidas pela entidade.

“A SBF concede diversas premiações ao longo do ano, desde as melhores teses de doutorado até reconhecimentos para jovens pesquisadoras, pessoas negras na Física e iniciativas de divulgação científica. Eu sou responsável por coordenar esse conjunto de premiações”, explicou.

Outra frente de atuação envolve a articulação das secretarias regionais da SBF em todo o território nacional, fortalecendo a presença da entidade nos estados e as atividades de ensino e pesquisa, além de apoiar a realização de eventos. O objetivo é aproximar tanto a comunidade de físicos quanto a sociedade das ações da SBF.

Para o docente, a missão da entidade vai além do ambiente acadêmico e passa pela defesa da ciência como elemento estratégico para o desenvolvimento do país. “A SBF atua tanto na interlocução com órgãos governamentais, buscando políticas públicas mais efetivas para ensino e pesquisa, quanto na valorização da Física perante a sociedade, mostrando sua importância para o desenvolvimento econômico e social”, completou.

Participação ampliada de docentes da Ufal

Além da vice-presidência, a presença da Ufal na Sociedade Brasileira de Física se estende a diferentes comissões de área, responsáveis por organizar e orientar a produção científica no país. Docentes do Instituto de Física atuam diretamente nesses espaços, que reúnem especialistas de todo o Brasil para discutir diretrizes de pesquisa, promover eventos e avaliar a produção acadêmica.

A professora Fernanda Selingardi Matias, que integra a comissão de Física Estatística e Computacional, destaca o papel estratégico desses grupos dentro da estrutura da SBF. “Essas comissões reúnem pesquisadores das diversas áreas da Física e têm um papel importante na organização de conferências e na estruturação das atividades científicas dentro dos encontros da SBF. Também participamos da avaliação e promoção de propostas de minicursos e seminários, o que contribui diretamente para a formação e atualização da comunidade científica”, explicou.

Também integram a SBF os professores Francisco Anacleto Barros Fidelis de Moura, que atua na comissão de Física da Matéria Condensada e de Materiais, e André de Lima Moura, vice-coordenador da área de Ótica e Fotônica.

Recentemente, a presença da Ufal na SBF foi ampliada com a nomeação da professora Maria Socorro Seixas, coordenadora do curso de Física bacharelado, para o cargo de pró-reitora adjunta de Graduação, função recém-criada dentro da entidade e diretamente ligada ao fortalecimento do Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF), programa voltado à formação continuada de professores da educação básica.

“A Sociedade precisava ter uma representatividade do mestrado profissional dentro da sua estrutura. Esse cargo foi criado com esse objetivo, e meu nome foi indicado pelo professor Sylvio Canuto e aprovado pelo conselho administrativo da SBF”, pontuou.

Trajetória de excelência

Com uma história iniciada na década de 1970, o curso de Física da Ufal consolidou-se ao longo dos anos como um dos principais polos de formação científica do Nordeste. O fortalecimento da pós-graduação, especialmente a partir da década de 1990, ampliou a produção científica e a inserção da universidade em redes nacionais e internacionais de pesquisa.

Para a professora Socorro Seixas, a presença de docentes da Ufal em cargos estratégicos da Sociedade Brasileira de Física demonstra a excelência do corpo docente do curso e amplia a visibilidade institucional. “A gente passa a estar no local onde as decisões são tomadas. Isso tem impacto direto no curso de graduação, na pós-graduação e no Instituto de Física como um todo”, afirmou.

Ela salienta ainda o desempenho do bacharelado em Física, que alcançou nota máxima na avaliação mais recente, e ressalta que a inserção na entidade amplia as possibilidades acadêmicas. “Nosso curso recebeu nota 5, que é a nota máxima. É uma formação muito voltada para a pesquisa, mas também com forte atuação em extensão. Quando você participa de uma sociedade que define diretrizes para a área, você fortalece o que está sendo construído dentro da universidade”, completou.

Além dos cursos, o Programa de Pós-Graduação em Física (PPGF/Ufal) também se destaca. Com conceito 6 na Capes e um corpo docente altamente qualificado, a universidade se posiciona entre os centros de excelência da área no país e segue em expansão. “O polo foi ampliado para o campus de Arapiraca, o que permitiu dobrar o número de vagas no mestrado. Isso amplia o alcance da formação de professores e fortalece o ensino de Física na educação básica”, destacou Socorro.

O que é a SBF

Fundada em 1966, a Sociedade Brasileira de Física é uma das principais entidades científicas do país, responsável por promover o ensino e a pesquisa em Física. A instituição atua na formulação de políticas públicas, na organização de eventos científicos, na concessão de premiações e no desenvolvimento de programas educacionais em todo o Brasil.

Para mais informações, acesse o site da entidade.