IMPACTO GLOBAL

Crise no petróleo após tensão no Oriente Médio mobiliza respostas rápidas de vários países

Governos adotam medidas emergenciais para conter alta dos combustíveis após escalada entre EUA, Israel e Irã

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 01/04/2026 às 07:35
Governos adotam medidas emergenciais para conter alta do petróleo após tensão no Oriente Médio. © Sputnik / Maksim Blinov

Governos de diversas partes do mundo estão tomando medidas emergenciais para enfrentar os efeitos da disparada dos preços do petróleo, desencadeada pela intensificação do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

A instabilidade no estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — prejudica a circulação de navios e pressiona os preços internacionais, levando os países a adotarem respostas rápidas para mitigar impactos econômicos e sociais.

No Brasil, o governo apresentou um plano para redução do custo do diesel importado, complementando a proposta de desoneração do ICMS por um subsídio direto aos importadores. União e estados dividiriam igualmente o valor compensado, estimado em cerca de R$ 1,20 por litro. A iniciativa, válida até maio, pode gerar impacto fiscal de R$ 3 bilhões por mês.

Na Rússia, o governo está proibindo exportações de gasolina até 31 de julho, diante da escassez em algumas regiões e áreas controladas por Moscou. Embora o processamento do petróleo permaneça estável, as restrições visam evitar o desabastecimento e controlar os preços internos.

No Japão, as autoridades decidiram flexibilizar por um ano as regras para uso de usinas termelétricas a carvão, buscando reduzir a dependência do gás natural liquefeito (GNL), cujo fornecimento foi afetado pelo bloqueio no estreito de Ormuz. O país também liberou reservas de petróleo, ampliou subsídios e procurou fornecedores alternativos.

Em Portugal, o governo propôs um subsídio temporário de € 0,10 (R$ 0,60) por litro de diesel para setores como agricultura, pesca e transporte público. A medida depende de aprovação parlamentar e será acionada caso os preços permaneçam acima dos níveis de março, com custo estimado de até 450 milhões de euros em três meses.

Segundo o Poder 360, a Alemanha aprovou regras para reajustes limitados nos postos: a partir de abril, só será permitido um aumento diário, sempre ao meio-dia. O pacote inclui multas de até € 100 mil (R$ 600,6 mil) e cumprimento das normas antitruste, em meio à alta do diesel acima de € 2,00 (R$ 12,00) por litro e à pressão inflacionária.

Na Noruega, também de acordo com a mídia, foram aprovados cortes temporários nos impostos sobre gasolina e diesel, válidos até 1º de setembro. A medida, acelerada pelo Parlamento, deve reduzir a arrecadação em pelo menos 3,3 bilhões de coroas norueguesas (aproximadamente R$ 1,77 bilhão), incluindo cortes em tributos sobre emissões de CO₂.

Na Austrália, o governo anunciou um pacote emergencial que reduz pela metade o imposto sobre combustíveis por três meses, proporcionando economia de cerca de 26 centavos por litro para os consumidores. O país também ativou um plano nacional de segurança energética e suspendeu tarifas para veículos pesados.

Essas ações refletem a preocupação global diante da escalada do esforço entre os Estados Unidos e o Irã. Após semanas de declarações agressivas, Washington realizou um ataque contra o Irã, deslocou tropas para o Oriente Médio e sobrevoou a região com bombardeiros B-52, aumentando o risco de interrupções prolongadas no fluxo de petróleo e elevando a volatilidade nos mercados.

O governo iraniano, por sua vez, sinalizou provisão para concessões diplomáticas, desde que os EUA reconheçam seu direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos e suspendam sanções econômicas. As negociações, entretanto, não avançaram, mantendo o cenário de incerteza e levando países a adotar medidas preventivas.