Crise no petróleo após tensão no Oriente Médio mobiliza respostas rápidas de vários países
Governos adotam medidas emergenciais para conter alta dos combustíveis após escalada entre EUA, Israel e Irã
Governos de diversas partes do mundo estão tomando medidas emergenciais para enfrentar os efeitos da disparada dos preços do petróleo, desencadeada pela intensificação do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
A instabilidade no estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — prejudica a circulação de navios e pressiona os preços internacionais, levando os países a adotarem respostas rápidas para mitigar impactos econômicos e sociais.
No Brasil, o governo apresentou um plano para redução do custo do diesel importado, complementando a proposta de desoneração do ICMS por um subsídio direto aos importadores. União e estados dividiriam igualmente o valor compensado, estimado em cerca de R$ 1,20 por litro. A iniciativa, válida até maio, pode gerar impacto fiscal de R$ 3 bilhões por mês.
Na Rússia, o governo está proibindo exportações de gasolina até 31 de julho, diante da escassez em algumas regiões e áreas controladas por Moscou. Embora o processamento do petróleo permaneça estável, as restrições visam evitar o desabastecimento e controlar os preços internos.
No Japão, as autoridades decidiram flexibilizar por um ano as regras para uso de usinas termelétricas a carvão, buscando reduzir a dependência do gás natural liquefeito (GNL), cujo fornecimento foi afetado pelo bloqueio no estreito de Ormuz. O país também liberou reservas de petróleo, ampliou subsídios e procurou fornecedores alternativos.
Em Portugal, o governo propôs um subsídio temporário de € 0,10 (R$ 0,60) por litro de diesel para setores como agricultura, pesca e transporte público. A medida depende de aprovação parlamentar e será acionada caso os preços permaneçam acima dos níveis de março, com custo estimado de até 450 milhões de euros em três meses.
Segundo o Poder 360, a Alemanha aprovou regras para reajustes limitados nos postos: a partir de abril, só será permitido um aumento diário, sempre ao meio-dia. O pacote inclui multas de até € 100 mil (R$ 600,6 mil) e cumprimento das normas antitruste, em meio à alta do diesel acima de € 2,00 (R$ 12,00) por litro e à pressão inflacionária.
Na Noruega, também de acordo com a mídia, foram aprovados cortes temporários nos impostos sobre gasolina e diesel, válidos até 1º de setembro. A medida, acelerada pelo Parlamento, deve reduzir a arrecadação em pelo menos 3,3 bilhões de coroas norueguesas (aproximadamente R$ 1,77 bilhão), incluindo cortes em tributos sobre emissões de CO₂.
Na Austrália, o governo anunciou um pacote emergencial que reduz pela metade o imposto sobre combustíveis por três meses, proporcionando economia de cerca de 26 centavos por litro para os consumidores. O país também ativou um plano nacional de segurança energética e suspendeu tarifas para veículos pesados.
Essas ações refletem a preocupação global diante da escalada do esforço entre os Estados Unidos e o Irã. Após semanas de declarações agressivas, Washington realizou um ataque contra o Irã, deslocou tropas para o Oriente Médio e sobrevoou a região com bombardeiros B-52, aumentando o risco de interrupções prolongadas no fluxo de petróleo e elevando a volatilidade nos mercados.
O governo iraniano, por sua vez, sinalizou provisão para concessões diplomáticas, desde que os EUA reconheçam seu direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos e suspendam sanções econômicas. As negociações, entretanto, não avançaram, mantendo o cenário de incerteza e levando países a adotar medidas preventivas.