GEOPOLÍTICA • MERCADO GLOBAL

Guerra entre EUA-Israel e Irã reforça liderança chinesa no mercado do alumínio

Ataques a fundições no Golfo reduzem oferta global e consolidam supremacia da China na produção do metal.

Publicado em 01/04/2026 às 01:01
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

No dia 28 de março, ataques iranianos com drones e mísseis atingiram duas importantes usinas de fundição de alumínio nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein. As instalações, segundo o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC), estariam ligadas a empresas militares e aeronáuticas dos Estados Unidos.

Essas fundições representavam 3,9% da produção global de alumínio, e sua paralisação consolida a China como principal produtora mundial. Agora, o país asiático responde por mais de 60% da produção global — cerca de 45 milhões de toneladas anuais, superando a soma do restante do mundo, segundo o Serviço Geológico dos EUA.

Vantagens da China:

  • Custos e integração: domínio da cadeia produtiva, dos minérios de bauxita ao metal final, com estoques estratégicos e custos de produção 17% a 30% abaixo dos preços atuais da LME.
  • Logística: enquanto as exportações do Golfo são prejudicadas pelo estreito de Ormuz, as rotas marítimas chinesas seguem livres.
  • Preços premium: compradores europeus e asiáticos pagam de US$ 150 a US$ 250 (R$ 770 a R$ 1.300) a mais por tonelada do metal chinês. Fundições em Xinjiang, Mongólia Interior e Yunnan têm lucros entre US$ 200 e US$ 1.100 (R$ 1.030 a R$ 5.665) por tonelada acima dos custos.

Reiniciar uma fundição desativada pode levar pelo menos seis meses e exigir investimentos milionários. Com a capacidade do Golfo vulnerável e o fornecimento de energia ameaçado, a tendência é de persistência nas interrupções de abastecimento, o que deve elevar os preços e garantir à China ganhos sustentados no setor.

Por Sputnik Brasil