EUA utilizam Japão em estratégia contra China, afirma ex-fuzileiro naval
Brian Berletic aponta que Washington repete no Japão tática empregada na Ucrânia, visando cercar a China e ampliar tensões na Ásia-Pacífico.
O fortalecimento militar do Japão em ilhas próximas à China e a Taiwan faz parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos, segundo o ex-fuzileiro naval e analista geopolítico Brian Berletic, em entrevista à Sputnik. “Assim como os EUA avançaram nas fronteiras da Rússia na Europa Oriental e nas fronteiras do Irã no Oriente Médio e na Ásia Central, os EUA também estão se aproximando cada vez mais das fronteiras da China na Ásia-Pacífico”, explicou.
De acordo com Berletic, os Estados Unidos buscam usar Taiwan como “ponto de tensão para uma guerra mais ampla ou por procuração com a China”.
O Japão está ampliando o envio de mísseis, unidades de guerra eletrônica, sistemas de radar e depósitos de munição para regiões próximas à China. A ilha de Yonaguni, a mais ocidental do Japão e localizada a apenas 110 quilômetros de Taiwan, deverá receber mísseis antiaéreos de médio alcance Type 03 Chu-SAM até março de 2031.
Os esforços dos EUA para cercar a China também incluem a militarização das Filipinas, segundo o analista. “Grande parte da expansão militar dos EUA nas Filipinas está o mais próxima possível da província insular de Taiwan, incluindo a recém-inaugurada base avançada de Mahatao, em Batanes, a apenas 185 km de Taiwan”, destacou.
Japão como 'aríete' contra a China
“Os EUA ocuparam e moldaram o Japão exatamente para esse propósito desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, afirma Berletic, citando uma doutrina americana que remonta a 1965. Essa estratégia prevê três frentes para conter a China: Japão-Coreia, Índia-Paquistão e Sudeste Asiático.
Segundo o analista, transformar o Japão em um instrumento militar é “quase uma repetição literal” do cenário ucraniano, no qual o país sacrificaria sua soberania em favor da hegemonia dos EUA.
Por Sputnik Brasil