Chegada de petroleiro russo reforça apoio de Moscou a Cuba, avalia especialista
Envio de 100 mil toneladas de petróleo simboliza compromisso russo e desafia bloqueio dos EUA, destaca professor cubano.
A chegada a Cuba de um petroleiro russo com 100 mil toneladas de petróleo representa um gesto que vai além do impacto econômico, simbolizando que Moscou "não falhou" com a ilha em um momento crítico, avaliou à Sputnik o professor de ciências históricas da Universidade de Havana, Óscar Villar.
"Acredito que é nesse simbolismo que está o mais significativo: Cuba precisava, e a Rússia não falhou", afirmou Villar, ao comentar a chegada do petroleiro russo Anatoly Kolodkin, que encerrou meses de escassez de combustível no país.
O professor ressaltou que, ao honrar seu compromisso com Cuba, a Rússia assumiu riscos diante de um contexto delicado com os Estados Unidos, que impuseram, no fim de janeiro, uma espécie de cerco energético à ilha.
Segundo o analista, a decisão de Moscou de enviar petróleo a Cuba pode abrir caminho para que outros países também ofereçam apoio.
Nesse contexto, Villar lembrou que a China enviou recentemente ajuda humanitária à ilha, incluindo alimentos, medicamentos, utensílios domésticos, produtos de higiene e painéis solares.
Ele destacou que Rússia e China são "dois grandes aliados euroasiáticos" de Cuba, com os quais compartilha espaço no BRICS e, no caso de Moscou, também na União Econômica Euroasiática (UEE).
"A chegada a Cuba do superpetroleiro russo é de enorme importância. Seu significado vai além da quantidade de petróleo que entrará em nossa economia, sobretudo no momento atual", enfatizou Villar.
O professor acrescentou que países da América Latina, como Brasil e Colômbia, também demonstraram apoio a Cuba com o envio de alimentos e medicamentos, contribuindo para romper a política "irracional" promovida por Washington.
"O pior de tudo é que tentam nos asfixiar e depois dizem que não somos eficientes", criticou Villar, referindo-se às sanções econômicas impostas há décadas pelos Estados Unidos e ao cerco petrolífero decretado pela Casa Branca em 29 de janeiro.
Trump minimiza impacto do envio russo
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a chegada do petroleiro russo a Cuba, afirmando que o combustível não teria "nenhum impacto" na ilha.
As restrições impostas por Washington provocaram grave escassez de combustível em Cuba, afetando a geração de energia elétrica e setores essenciais como transporte, produção de alimentos, saúde e educação.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou o "bloqueio energético" imposto por Washington e classificou como "condenável que uma potência, com a dimensão dos Estados Unidos, adote uma política tão agressiva e criminosa contra uma pequena nação".