ASSISTÊNCIA SOCIAL

Benefícios represados e valorização do salário mínimo expandem gasto do BPC, afirma ministro

Wellington Dias aponta aumento dos custos do BPC devido à inclusão de novos beneficiários e à política de valorização do salário mínimo.

Publicado em 20/03/2026 às 16:33
Benefícios represados e valorização do salário mínimo expandem gasto do BPC, afirma ministro Reprodução / Agência Brasil

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou que os gastos com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) vêm crescendo no governo Luiz Inácio Lula da Silva, impulsionados pelo aumento do salário mínimo e pela inclusão de pessoas que tinham direito ao benefício, mas não o acessavam até 2022. "Em 2021 e 2022, havia pessoas que tinham direito, muitas estavam no cadastro, mas não acessavam nem o Auxílio Brasil nem o BPC", explicou. Segundo ele, em 2023, houve um aumento mais expressivo devido ao represamento desses benefícios nos anos anteriores.

O ministro destacou ainda que o crescimento do gasto também é resultado de uma política considerada positiva para o país: "O crescimento do salário mínimo dentro de uma regra que leva em conta o crescimento do PIB".

Wellington Dias participou, na manhã desta sexta-feira (20), do seminário 'Saída do Brasil do Mapa da Fome', realizado na Fundação Getulio Vargas (FGV), que discutiu os fatores responsáveis pelo avanço da segurança alimentar no país. Durante o evento, foi apresentado um estudo sobre o BPC.

De acordo com o levantamento, a ampliação da cobertura do benefício gerou um aumento de cerca de R$ 30 bilhões, em termos reais, nas despesas entre abril de 2022 e abril de 2025.

Além disso, relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI) aponta que o BPC consumiu cerca de 1% do PIB em 2025 e que esse gasto pode chegar a 1,2% a 1,4% até 2035.

Em entrevista coletiva após o evento, o ministro reconheceu que a valorização do salário mínimo acarreta custos tanto para o BPC quanto para o Seguro-Defeso (benefício pago a pescadores artesanais durante o período de proibição da pesca para preservação das espécies) e para as aposentadorias.

Porém, Dias ressaltou que a política de valorização do salário mínimo contribui para o crescimento econômico.

Ele acrescentou ainda que o ritmo de crescimento das despesas perdeu força devido ao aumento da fiscalização. "No ano passado, tivemos um número bem menor de ingressos do que em 2024, que já foi menor do que em 2023", afirmou.